As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 16/06/2020

A Igreja Católica, em seus mais de 2 mil anos de história, foi, e ainda é, uma das instituições que mais influenciam acontecimentos e costumes nas sociedades cristãs. Em alguns de seus dogmas, o cristianismo surgiu com idéias que, atualmente, são consideradas intolerantes, como a negação à orientações sexuais que não sejam de vertente heterossexual. Portanto, por ter sido colonizado por uma nação extremamente cristã, o Brasil foi conduzido pelo mesmo caminho. Ademais, apesar das diversidades culturais existentes, o país ainda sofre com pensamentos retrógrados originados do cristianismo, visto que, as diversas formas de exclusão que atingem as minorias brasileiras afetam diretamente a saúde das mesmas.

Em primeiro plano, ganha particular relevância a exclusão e o constante medo vivenciado pela comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais, etc) no Brasil. Uma pesquisas feitas pela ONG Grupo Gay da Bahia deixa explícito que a cada 20 horas um(a) integrante do grupo LGBT é morto no país apenas pela sua orientação sexual, seja por assassinato ou suicídio decorrente do preconceito sofrido. Deste modo, pode-se analisar que para essas minorias, ainda hoje, é extremamente  complicado viver sob a pressão dos olhares preconceituosos e o constante medo de sofrer agressões. Sendo assim, observa-se que uma sociedade culturalmente retrógrada, influencia negativamente no cotidiano das minorias, afetando o psicológico dessas pessoas e a vida em sociedade.

Em segundo plano, cabe ressaltar a influência do desprezo sofrido pela comunidade LGBT na saúde física ou mental. Para Otávio Paz, poeta mexicano, as massa humanas mais perigosas são aquelas que tem medo da mudança. Contudo, observa-se que em um corpo social de pensamentos retrógrados, aquelas pessoas, cujo modo de viver não condizem com esses pensamentos, estão ameaçadas de diversas maneiras. Por isso, o fato de, por exemplo, um transexual deixar de ir à um posto de saúde por receber um tratamento desrespeitoso, se torna algo comum no Brasil. Em conjunto a esses fatores,  existe o crescente número de suicídios dentro dessa comunidade devido à exclusão familiar, o que torna o problema ainda mais complexo visto que afeta além do corpóreo, o psíquico das minorias.

Diante desse cenário, é necessário uma ação que, ciente do impacto causado pela cultura retrógrada brasileira na saúde da população LGBT e outras comunidades excluídas, busque minimizar esse quadro. Cabe ao Ministério da Cidadania, implementar projetos de conscientização à diversidade de orientações sexuais nas igrejas, através de incentivo fiscal, e programas de atendimento especializado em unidades de saúde públicas. Assim, espera-se que ao quebrar paradigmas religiosos  e melhorar a experiencia das minorias no ambiente hospitalar, o brasil deixe de excluí-las, proporcionando saúde física e mental.