As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 11/08/2020

O artigo 196 da constituição brasileira diz: “A saúde é direito de todos e dever do Estado garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário”. Porém, não é o cenário que encontramos em nossa sociedade. Notamos a existência de minorias, como por exemplo, étnicas e sexuais, que sofrem com a discriminação, marginalidade e exclusão em ambientes hospitalares, trazendo prejuízos à saúde desses cidadãos.

Dados do Censo brasileiro de 1991, indicam que a grande maioria dos jovens que não completou o ensino médio, são afrodescendentes, resultando a essas pessoas uma maior dificuldade de alavancamento social, impactando nas questões sanitárias por não terem condições financeiras de arcar com um tratamento qualificado, e além de que, quando utilizam o sistema público são tratados com descuido. Ainda que, essa população compõe grande parte das periferias que são afetadas pela poluição industrial, falta de saneamento e segurança trazendo agravos à saúde desses indivíduos.

Além disso, outro grupo afetado, são os LBTQ+, eles se encontram numa posição de vulnerabilidade a infecção de dst’s, como ao HIV/AIDS, tornando-se primordial a realização de consultas e exames de rotina para eles. No entanto, os que já estão infectados não são tratados, por conta de negligência, discriminação e intimidação que sofrem nos hospitais. Isso dificulta tanto na cura como na prevenção, por não irem em busca de tratamento por se sentirem acuados pelo preconceito enfrentado nos ambientes hospitalares.

Em relação ao combate do racismo ao acesso à saúde, é necessário ir na raiz do problema que está na educação, a implementação de uma ação afirmativa com um programa de permanência estudantil para alunos afrodescendentes, do ensino fundamental e médio, afim de não deixar o estudante fora da escola por questões econômicas, possibilita maiores oportunidades de crescimento profissional e consecutivamente, ao ingresso de uma saúde melhor. Já sobre a situação das minorias sexuais, há uma necessidade do sancionamento de uma legislação sanitária federal que priorize esse grupo no enfrentamento de DST/HIV/AIDS. Por fim, vem a importância da capacitação e sensibilização dos profissionais da saúde no atendimento dessas duas minorias, de forma íntegra, igualitária e acolhedora.