As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 07/08/2020

Em um episódio da série “Sense 8”, da Netflix, é retratado aos telespectadores a árdua rotina de um transexual por ele ser diferente das demais pessoas. Fora da ficção, o que foi descrito no seriado relaciona-se com um problema da conjuntura brasileira do século XXI, em que a sociedade, de modo geral, tem a tendência a ignorá-lo: as diversas formas de exclusão social e seus respectivos impactos para os indivíduos. Desse modo, urge a necessidade de analisar como a negligência estatal e o preconceito gerado na comunidade fomentam a problemática.

Primeiramente, há de constatar o descumprimento de algumas leis. Dentre tais aspectos, a Constituição Federal de 1988 garante o acesso à saúde que visa o bem-estar de todos. Entretanto, constata-se, no Brasil, a carência de políticas públicas que objetivam o acesso a tratamentos para pessoas consideradas diferentes, como o grupo LGBT, uma vez que eles são muito discriminados, geralmente por causa de suas orientações sexuais, quando tentam procurar ajuda. Semelhantemente, conforme um  levantamento do site Pepsic, das várias pessoas entrevistadas de tal grupo, ao tentarem procurar ajuda, quase 90% delas sofrem alguma forma de abuso, como bullying. Nesse sentido, percebe-se que a falta de políticas públicas implica no recrudescimento de tal problemática.

Em segunda análise, a questão dos discursos de ódio corroboram a persistência de tal problema. Outrossim, de acordo com o filósofo Heidegger, o homem se constrói na medida de suas interações. Analogamente, algumas pessoas podem, ao usufruir de um mesmo âmbito com pessoas que constantemente praticam xenofobia, podem acabar por herdar tal hábito. Sob esse viés, uma pesquisa divulgada pela University College London, na Inglaterra, evidencia que de aproximadamente 700 pessoas estrangeiras analisadas, praticamente todas apresentaram distúrbios mentais por consequência de preconceitos enfrentados diariamente em suas comunidades. Dessa forma, conclui-se que o meio social influencia nas dificuldades enfrentadas por pessoas consideradas diferentes.

Destarte, medidas fazem-se relevantes para mitigar tal realidade. Portanto, o Ministério da Educação, juntamente às mídias e dentro das escolas, deve instituir projetos como o “Cessando o preconceito e contribuindo para uma melhor saúde da população”, responsável por educar os estudantes e suas respectivas famílias. Isso deve ser realizado por meio de trocas de experiências em workshops administrados por professores e pessoas do grupo LGBT, a fim de expor, debater e combater as consequências das diversas formas de exclusão. Assim, será possível evitar o hediondo cenário descrito pela Netflix.