As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 08/08/2020
No artigo 169 da Constituição Federal de 1988, afirma-se que a saúde é um direito de todos e dever do estado. Entretanto, na prática, tal princípio é deturpado, uma vez que prevalece o negligenciamento governamental acerca dos empecilhos de acesso à saúde pela população mais abastarda da sociedade, essa que sofre as consequências da invisibilidade social. Logo, faz-se necessária a análise dessa conjuntura, a fim de mitigar os entraves da desigualdade social na saúde do brasileiro.
Em primeira análise, vale destacar que mesmo com a existência de um sistema público de saúde, como o SUS, é prevalente o menor acesso à saúde por parte da população desfavorecida. Ademais, podemos citar a realidade da população negra, que segundo dados da Pesquisa Nacional da Saúde, das pessoas que já se sentiram discriminadas nos serviços, por profissionais de saúde, 13,6% destacam o viés racial da discriminação. Assim, conclui-se que o racismo estrutural provoque a negação de acesso à saúde, por parte do indivíduo, com objetivo de privar-se da humilhação. Dessa forma, segundo Milton Santos, geógrafo brasileiro, conceitua a “cidadania mutilada”,essa que conta com falta de acesso efetivo dos direitos pela totalidade do corpo social, provocada pela desigualdade.
Além disso, segundo a Organização Mundial de Saúde, o conceito de saúde é holístico, caracterizando-se pelo bem-estar biopsicossocial. Dessa maneira, pessoas pertencentes as camadas mais baixas da hierarquia social, sofrem com sentimentos psicossociais de subordinação e inferioridade, esses que geram o estresse crônico, e que desencadeiam problemas fisiológicos graves no indivíduo. Segundo dados do inventário de qualidade de vida, 88% dos participantes que apresentaram estresse crônico, viviam em ambientes patógeno. Desse modo, salienta-se a necessidade de atenção sanitária as minorias sociais, que além de sofrerem com a falta de acesso à saúde, sofre também com a predisposição patológica desencadeada pelo meio em que vive.
Infere-se, portanto que, como rege a Lei do SUS 8080/1990 é necessário que a saúde seja promovida de forma universal. Dessa maneira, para que isso ocorra, é necessário que o Ministério da Saúde, junto à Assistência Social, e graduandos na área da saúde, efetive campanhas de cuidados para a população que sofre com o acesso e o preconceito, por meio de mais investimento financeiro para as unidades básicas de saúde da comunidade e a programas como o de médicos sem fronteiras, para que possam atuar em regiões que sofrem com a falta de instituições de saúde próximas, e para promover a participação da medicina da família, para que possibilite mais assistência à indivíduos pertencentes a ambientes patógenos e preconceituosos. Assim, o Brasil dará o primeiro passo para diminuir as consequências da insalubridade sanitária a grupos minoritários.