As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 29/08/2020
O documentário Holocausto brasileiro apresenta a realidade cruel em que milhares de pessoas consideradas indesejadas pela sociedade brasileira do séc. XX foram abandonadas no Hospital Psiquiátrico de Barbacena, onde sofreram tortura e desumanização. Nesse sentido, torna-se necessário o debate a respeito dos impactos das diversas formas de exclusão sobre a saúde do brasileiro. Para isso é imprescindível a análise da relação entre segregação e saúde psicológica, bem como o despreparo social de proporcionar bem estar aos grupos marginalizados.
A priori, observa-se que a estabilidade dos fenômenos mentais é fortemente influenciada pelo modo que o indivíduo se vê e é visto pela comunidade. Desse modo, aqueles que convivem diariamente com o preconceito e se veem isolados socialmente não gozam do seu direito à saúde – garantido pela Constituição Cidadã -, visto que esta diz respeito ao estado de bem estar físico, mental e social, segundo a OMS. A exemplo disso, pode-se citar que jovens negros e pardos possuem 45% mais chance de cometer suicídio segundo dados disponibilizados em 2016 pelo Ministério da Saúde.
Outrossim, compreende-se que a falta de acessibilidade, dos ambientes de lazer a exames clínicos, experenciada por parte da população também promove distúrbios de ordem psíquica e dificuldade ou vergonha ao procurar ajuda médica. Por esse motivo se fortalece a luta contra a gordofobia e o preconceito às pessoas com deficiência, visto que são inúmeros os relatos do descaso e despreparo do sistema de saúde no que tange ao atendimento aos obesos, e também são visíveis os problemas de transitabilidade dos portadores de deficiência. O protagonista do romance ficcional Como eu era antes de você, por exemplo, ao ficar tetraplégico se recusa a sair de casa devido à falta de acessibilidade para frequentar locais de lazer e desenvolve depressão.
Depreende-se, portanto, que a discriminação social precariza a saúde do brasileiro. Nessa perspectiva, é preciso que todas as partes do corpo social, como num biológico, interajam para gerar coesão e igualdade, de acordo com o sociólogo Emile Durheim, ou seja a sociedade não deve se omitir na resolução desse embate. Logo, é preciso que a sociedade se mobilize em busca da inserção das minorias em espaços de lazer e saúde, por meio de petições e manifestações físicas ou virtuais cobrando do governo mecanismos adequados de acessibilidade. Concomitantemente, os governos devem se aliar às universidades, realizando pesquisas frequentes de indicadores sociais sanitários que norteiem os futuros investimentos na área da saúde, proporcionando assim a equidade necessária para o enfrentamento da problemática.