As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 14/08/2020
De acordo com OMS (Organização Mundial da Saúde), o conceito saúde, em uma concepção holística, refere-se às condições físicas, psicológicas e sociais dos indivíduos. Nesse sentido, no Brasil, há o SUS (Sistema Único de Saúde), o qual, pela Constituição, possui o dever de proporcionar um atendimento universal, integral e com equidade. Contudo, a realidade atual diverge das leis brasileiras, havendo uma negligência por parte do Estado para com a população. Dessa forma, o preconceito enraizado, bem como o desleixo com negros e a população LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros) gera consequências psicológicas e físicas para tal população.
Em primeiro plano, faz-se analogia ao livro “Holocausto brasileiro”, que remete ao Hospital Colônia de Barbacena, no estado de Minas Gerais, início do século XX. Trata-se de um acontecimento verídico sobre um hospital psiquiátrico, onde pessoas “indesejadas” da comunidade eram internadas, a exemplo de gays, negros, jovens grávidas entre outros. Desse modo, nota-se a discriminação e a falta de ética desde tempos passados. Contemporaneamente, em concordância com uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, no Brasil, jovens negros entre 15 a 29 anos possuem 45% a mais de chance de cometer suicídio em relação aos jovens brancos. Segundo a pesquisa, esse fato decorre da intolerância ainda existente na sociedade, juntamente com a ineficiência do apoio médico à tais indivíduos.
Outrossim, consoante ao Ministério dos Direitos Humanos, o país registra 1 morte em razão de homofobia a cada 16 horas, o que demonstra a hostilidade brasileira com tais cidadãos. Além disso, relatos da população LGBT, em uma entrevista empreendida por Cíntia de Lima, evidenciam a falta de preparo para o atendimento de tais indivíduos. Nessa perspectiva, quando há a necessidade de atendimento do SUS, homens e mulheres possuem aversão ao sistema. Isso deve-se ao fato de que, em conformidade com o relato, os próprios profissionais os tratam com indiferença, assim como os outros pacientes.
A fim de resolver essa problemática, é mister que o Estado, juntamente com o Ministério da Cidadania, por meio de verbas destinadas à área, crie campanhas e projetos em escolas, visando a integração e a aceitação de todos os indivíduos. Tais estratégias devem assegurar que os preconceitos não façam mais parte da sociedade, garantindo a equidade com os cidadãos. Ademais, deverão haver cursos para a qualificação dos profissionais da saúde para melhor atender as minorias da população. Dessa forma, deixar-se-á o episódio do Hospital de Barbacena para trás, construindo um futuro baseado no conceito de saúde proposto pela OMS.