As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 14/08/2020

Desde o iluminismo, a sociedade compreende o progresso como fruto da mobilização com o problema do outro. No entanto, quando se observa a exclusão social e os respectivos impactos causados na saúde do brasileiro, hodiernamente, verifica-se que este ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pelo não cumprimento da Constituição Federal que garante saúde a todos, seja pelo descaso da população com aqueles que sofrem com a marginalização e exclusão social, sem acessibilidade a serviços de saúde.

É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a negligência das disposições constitucionais rompe essa harmonia, haja vista que consta no artigo 196, que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção proteção e recuperação.

Outrossim, destaca-se a displicência das massas em relação a exclusão do acesso público à saúde como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que este fenômeno é uma realidade que impede uma  mobilização social em prol do ideal iluminista que visa o progresso, em razão de uma maioria não enfrentar a mesma situação. Tal afirmação é embasada através do estudo divulgado pelo Portal da Câmara dos Deputados, que afirma que 8 a cada 10 pessoas tem acesso regular à saúde.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Saúde deve, por meio de verbas públicas, ampliar os investimentos estatais na saúde, bem como realizar uma expansão nas políticas públicas responsáveis pela diligência da parcela social excluída e marginalizada. Foram 20% das pessoas entrevistadas na pesquisa da Câmara Legislativa que alegaram não terem liberdade para usufruir do específico serviço público imprescindível à qualidade de vida dos cidadãos, seja pela falta de postos de saúde, ou preconceito sofrido no ambiente. Apesar de serem uma minoria da população, estes devem ter uma maior expressividade, por não serem beneficiados igualmente a outros cidadãos, conquanto sejam igualmente contribuintes, parte da nação brasileira.