As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 15/08/2020

No artigo 169, da Constituição Federal de 1988, afirma-se que a saúde é um direito de todos e dever do estado. Entretanto, na prática, tal princípio é deturpado, uma vez que prevalece o negligenciamento governamental acerca dos empecilhos de acesso à saúde a população menos abastada da sociedade, essa que sofre as consequências da invisibilidade social. Logo, faz-se necessária a análise dessa conjuntura, a fim de mitigar os entraves da desigualdade social na saúde dos brasileiros.

Em primeira análise, vale destacar que mesmo com a existência de um sistema público de saúde, como o SUS, é prevalente o menor acesso à saúde por parte da população desfavorecida. Ademais, é de suma mencionar a realidade vivida pela população negra, que segundo dados da Pesquisa Nacional da Saúde, das pessoas que já se sentiram discriminada por profissionais da saúde, 13,5% queixaram de discriminação racial. Assim, conclui-se que o racismo estrutural fomenta a negação de acesso à saúde, por parte do indivíduo, com objetivo de provar-se da humilhação provocada nesse ambiente preconceituoso. Dessa forma, Milton Santos, geógrafo brasileiro, intitula tal comportamento como um reflexo da “Cidadania Mutilada”, essa que conta com a desigualdade de direitos efetivos pela totalidade do corpo social.

Além disso, segundo a Organização Mundial da Saúde, o conceito de saúde é holístico, caracterizado pelo bem-estar biopsicossocial. Partindo desse pressuposto, pessoas pertencentes às camadas mais baixas da hierarquia social, sofrem com sofrimentos psicossociais de subordinação e inferioridade, que geram estresse crônico e que desencadeiam problemas fisiológicos graves no indivíduo. Segundo dados do inventário de qualidade de vida, 88% dos participantes que apresentaram estresse crônico vivam em ambiente patológico, esse que conta com  situações que são avaliadas como sobrecarga e que excedam os recursos físicos e psíquicos. Desse modo, salienta-se a necessidade de atenção sanitária as minorias sociais, que além de sofrerem com a falta de acesso à saúde, sofre também com uma predisposição social substancial de desenvolver patologias.

Infere-se, portanto que é necessário a promoção de saúde de forma universal e holística. Para que isso ocorra, é dever do Ministério da Saúde, junto ao Conselho Regional de Medicina efetive campanhas de cuidado para pessoas que sofrem com a falta ou dificuldade de acesso, por meio de investimento financeiro nas UBS e medicina da família, para que possam atuar em ambientes patológicos. Inclusive, é dever da diretoria dos centros de saúde atenuar-se ao comportamento dos médicos no ambiente de trabalho, e se houver discriminação reportar ao Conselho, com objetivo de diminuir os índices de insalubridade sanitária a grupos minoritários e melhorar a qualidade de acesso.