As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 16/09/2020

Na obra literária “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, os cidadãos tomam doses diárias de uma substância química chamada “soma”, que induz os indivíduos a se sentirem felizes e despreocupados. Todavia, ao longo do enredo, o protagonista, Bernard Marx, deixa de tomar a droga, passando a conviver com sentimentos como a angústia, tristeza e confusão. Paralelamente, milhares de indivíduos brasileiros sentem-se de maneira semelhante a Marx e essas sensações tem, em diversos casos, fundamento na exclusão e violência presenciada por minorias, podendo resultar em graves consequências psicológicas. Deste modo, é impreterível que todas as formas de preconceito sejam combatidas visando à saúde e bem-estar de todos através da busca pelo respeito indiscriminado.

Estima-se que no primeiro semestre de 2020 o assassinato de pessoas transexuais no Brasil tenha aumentado em 42%, segundo o Correio Braziliense. Esse veículo também aponta que, atualmente, o país apresenta o maior número de indivíduos transexuais vítimas de assassinato  do mundo. Esses dados ilustram a realidade de minorias brasileiras no que diz respeito à identificação de gênero e sexualidade. À margem da sociedade, aqueles que compõe o grupo LGBTQIA+ sentem-se expostos a sofrerem atos de violência física ou verbal pautados no preconceito e, como desdobramento, também ficam mais expostos a sofrerem distúrbios psicológicos, como a ansiedade social e a depressão.

Além disso, é necessário destacar que a discriminação embasada na identidade de gênero ou sexual representa um problema de saúde pública nacional. Diante do despreparo de equipes profissionais ou de demonstrações preconceituosas no atendimento sanitário, muitos dos indivíduos sujeitos a essa discriminação sentem-se desencorajados a buscar atendimento profissional. Assim, aumentam-se os casos de doenças sexualmente transmissíveis (DSTS) sem acompanhamento profissional. Algumas delas, como a AIDS, são doenças crônicas e podem ser letais caso não inicie-se o tratamento.

Portanto, cabe ao Estado assegurar a proteção desses grupos. Afinal, segundo o sociólogo brasileiro Sérgio Buarque de Hollanda, “é preciso fazer falar aqueles que foram mudos pela história”, o que nesse caso pode ser traduzido como políticas públicas voltadas a esses grupos marginalizado. Deste modo, o Ministério da Saúde deve ministrar cursos de orientação entre aos profissionais de saúde da esfera pública, tendo como objetivo instruí-los sobre as minorias sexuais e as práticas de inclusão que devem ser adotadas ao longo do atendimento. Ademais, o poder legislativo deve articular o agravamento das penas para crimes de violência contra minorias, buscando reduzir suas incidências através da intolerância diante de tais. Assim, teremos menos cidadãos como Marx, e uma sociedade na qual a sensação de felicidade e pertencimento são possibilitadas não por uma droga, mas pela inclusão.