As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 17/09/2020

A atual Constituição, promulgada 1988, decreta como obrigatoriedade estatal a garantia de uma saúde de qualidade a todos os brasileiros. Todavia, mesmo com a tentativa governamental em garantir em totalidade esse direito à população, o próprio povo dificulta essa ação. Isso devido, principalmente, a ainda presente cultura discriminatória no país, que além de induzir a ocorrência de casos racistas, xenofóbicos, homofóbicos, entre outros, prejudicando a saúde mental desses grupos atingidos por esses movimentos, ainda influência ao não tratamento ideal dos mesmos.

Primeiramente, deve-se compreender como a formação cultural brasileira contribui no atual cenário discriminatório. Segundo o filósofo chinês Confúcio, não corrigir nossos erros é o mesmo que cometer novos. Dessa forma, a criação de políticas discriminatórias promovidas no passado, influenciadas pelos valores católicos e culturais europeus, contribuiu no enraizamento de princípios discriminatórios na cultura brasileira, que não alterados significativamente ao longo dos anos, se manifestam por meio de agressões físicas e/ou psicológicas a grupos minoritários.

Outrossim, a presença de juízos preconceituosos na mentalidade de profissionais de saúde corrobora na piora da saúde de grupos socialmente excluídos. Segundo o sociólogo Sergio Buarque de Holanda, em sua obra “Raízes do Brasil”, afirma que o brasileiro apresenta uma tendência a agir instintivamente, em detrimento de sua razão. Sendo assim, alguns profissionais e instituições, que deveriam fornecer auxílio à indivíduos vulneráveis, colocam instintivamente seus valores preconceituosos a frente do profissionalismo, de sua racionalidade, acarretando na negação ou ao fornecimento de má qualidade de atendimento médico a grupos minoritários.

Infere-se, portanto, que os valores culturais discriminatórios dificultam a garantia de um direito fundamental à população. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve determinar obrigatoriedade nas escolas municipais,  em destaque no ensino infantil, a discussão a respeito da discriminação e exclusão de certas comunidades, que deverá ser realizada por meio de gincanas que promovam a socialização entre crianças de diferentes crenças e etnias, a fim de romper com a continuidade de valores preconceituosos. Além disso, o Ministério da Saúde deve juntamente com o MEC, promover a adição de mais disciplinas nos cursos da área da saúde, que discutam a ética no tratamento de pacientes. Só assim será possível que o direito a uma saúde de qualidade, como definida na atual Constituição, esteja disponível a todos.