As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 21/09/2020
De acordo com o artigo 196 da Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todos e dever do estado. O governo brasileiro realiza hoje esse dever através do Sistema Único de Saúde (SUS) que oferece serviços desde consultas médicas e terapia até cirurgias e tratamentos contra o câncer. Entretanto, o SUS ainda sofre com o reflexo de um dos males da sociedade brasileira: o preconceito e a discriminação.
Em primeiro lugar, é possível citar como exemplo a população transexual. Devido à descriminação, pessoas transexuais encontram dificuldade ao acessar o serviço público de saúde, que muitas vezes não está propriamente preparado para realizar processos especializados antes, durante e após a transição. O preconceito também resulta em diversos problemas mentais em transexuais, como estresse, ansiedade e depressão, chegando até o suicídio, o qual é quase 10 vezes maior entre essas pessoas, como aponta a pesquisa da Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio e do Instituto Williams. A luta contra o preconceito representa, portanto, uma melhora na saúde tanto física como mental da população trans.
Outro exemplo a ser utilizado é a dificuldade de doação de sangue por homossexuais. Até maio de 2020, homens gays que desejavam doar sangue deveriam ficar um ano sem realizar relações sexuais, e mesmo se seguissem essa orientação, ainda enfrentavam preconceito na realização do procedimento. Essa regra surgiu devido ao estigma criado durante o surto de HIV no final do século XX, que foi relacionado com o crescimento da população gay. A alteração nas regras foi motivada principalmente pela baixa de doações durante a pandemia do COVID-19, um fato que demonstra a necessidade do maior número possível de doadores e também que o preconceito pode afetar, além da população LGBTQI+, aqueles que precisam do sangue para procedimentos de saúde.
Em conclusão, é necessário uma reestruturação parcial do SUS por parte do Ministério da Saúde, visando, através de mudanças em leis e reeducação de profissionais da saúde, aderir práticas que incluam as diversas minorias presentes no Brasil e que, consequentemente, ajudem a combater o preconceito presentes em várias parcelas da sociedade.