As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 21/09/2020
É fato que a marginalização pelo preconceito existe e causa prejuízos sérios tanto para vítima quanto para a sociedade de maneira geral. O sentimento de isolamento, aumentado pela dificuldade de se integrar, está relacionado a diversos fatores, como: diferenças étnicas, sexuais, culturais e financeiras. Apesar das acusações de vitimismo feitas por parte das camadas privilegiadas, a sociedade brasileira exclusiva se torna ainda mais evidente quando pesquisas sobre os índices de desenvolvimento de distúrbios mentais, como a realizada pela USP, em 2018, mostram que as minorias sociais apresentam mais chances de desenvolverem problemas psicológicos, salientando a necessidade de combater o preconceito e garantir o direito à saúde universal e de qualidade da Constituição.
Primeiramente, é importante ressaltar que a OMS registrou um aumento de quase 50% nos casos de distúrbios mentais na última década. Tal realidade, aliada ao estudo feito pela University College London, responsável por mostrar que uma pessoa pertencente a alguma minoria social tem até 5 vezes mais chances de desenvolver problemas psicológicos do que uma não pertencente, deixa claro as influências do preconceito na vida da vítima. Essa discriminação, inclusive, estende-se também aos hospitais e postos de saúde, acentuando ainda mais a situação de vulnerabilidade e desencorajando a busca por ajuda.
Entretanto, ao contrário do que muitos pensam, os impactos do preconceito e da exclusão não são restritos àqueles que sofrem. Utilizando como exemplo os 12 milhões de brasileiros que, de acordo com a OMS, sofrem de depressão, é possível vislumbrar os prejuízos da produtividade falha ou inexistente na economia do país. Esse fator, em conjunto com os gastos públicos no setor de saúde e no setor de segurança, para combater os casos de violência decorrentes de preconceitos, por exemplo, deixa claro que atitudes discriminatórias são completamente irracionais, já que o problema da exclusão afeta a sociedade como um todo.
Assim sendo, vê-se necessário que haja maior disseminação de informações a respeito do diferente para que a percepção humana das pessoas, que é socialmente construída, seja remodelada a fim de que os casos de exclusão recebam um ponto final após tantas décadas de persistência. Como medidas educativas, é interessante que o Ministério da Educação cobre das escolas a exposição desses assuntos e a valorização da diversidade em salas de aula, fazendo com que as novas gerações cresçam cientes da importância de uma sociedade unida e igual. Entender é o primeiro passo para respeitar e só assim haverá garantia efetiva dos direitos estabelecidos pela Constituição.