As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 21/09/2020

O sistema patriarcal vigente, durante quase todo o período da história antropológica, buscou e arquitetou maneiras para fazer com que a supremacia permanecesse na mão dos homens héteros, cis e brancos. A exemplo, pode-se utilizar o diagnóstico da histeria feminina, que ao longo de vários séculos teve o seu significado deturpado, criando o mito da “mulher histérica”, que não controlava suas emoções, justamente por ser considerada um ser inferior. Tais situações de diagnósticos controversos e preconceituosos ligam-se à exclusão de minorias na área da saúde, dilema extremamente atual e problemático.

Como supracitado, as minorias, sejam elas raciais, sexuais ou de gênero, sofrem com a exclusão e com o preconceito dentro da área da saúde. Usufruindo as palavras do escritor e crítico inglês, William Hazlitt: “O preconceito é filho da ignorância”, ou seja, sabe-se que o preconceito é uma instituição milenar, que devido à ignorância dos indivíduos, manteve-se em circulação e perpetuou um ambiente tóxico para as minorias e confortável para os supremacistas. A exclusão dos grupos minóricos acarretou na invalidação de inúmeros objetos de estudo, como as doenças e os transtornos mentais por esses apresentados.

Ademais, conclui-se que a medicina falhou em sua função social no que se diz ao atendimento integral e universal. Como exemplificado anteriormente, o diagnóstico errôneo da histeria feminina é uma das amostras de como a medicina, ciência criada por homens para homens, pode-se tornar falha quando associa-se com posicionamentos pessoais do profissional. O preconceito corrompe a ética dos médicos, colocando assim, os pacientes de minorias, em dois conflitos: a doença ou trauma em questão e a mentalidade de quem o atende.

Portanto, é um fato que políticas públicas voltadas para a saúde das minorias são necessárias. O Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, devem veicular cartilhas e publicidades que desmistificam o preconceito, buscando a igualdade de todos. O Ministério da Saúde deve também realizar uma parceria com ONG’s responsáveis pelo acolhimento de minorias, para aprimorar suas pesquisas no que se diz em transtornos mentais influenciados e desencadeados pela exclusão e pelo preconceito.