As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 22/09/2020

Uma das formas de manutenção de poder exercidas pelos membros dominantes do patriarcado (homens héteros, brancos e ricos) é a consolidação de estereótipos e de preconceitos. Os preconceitos e os estereótipos são responsáveis pela perpetuação da ideia de que uma determinada minoria é inferior, provocando assim a exaltação do padrão dos membros dominantes. Buscando perpetuar o sistema vigente, o preconceito e a exclusão atingem as mais diversas esferas sociais, influenciando até mesmo em áreas elementares e com serviços universais garantidos na constituição, como a saúde pública.

Sabe-se que o ódio à minorias acomete até mesmo a ciência mais humanitária do mundo, a medicina. Nas palavras do famoso médico Dráuzio Varella, a medicina é uma ciência que visa diminuir o sofrimento dos pacientes, em sua pluralidade. No entanto, é um fato que a medicina falha com sua função social de atendimento e ética universal, no que se refere ao atendimento às minorias. Pode-se concluir que convenções sociais e opiniões pessoais sem fundamentação, por parte dos profissionais, podem por vez, acometer o atendimento ao paciente, uma vez que o médico também é um ser social que convive com o preconceito enraizado na sociedade.

Além do fato da figura do profissional da saúde posicionar-se numa posição eticamente conflitante, vale destacar o misticismo que ronda a salubridade certas minorias. Fazendo uma breve busca na história, encontra-se facilmente dois casos polêmicos e errôneos envolvendo minorias: a AIDS, que foi associada aos gays, e a histeria, associada com as mulheres. A ignorância e a falta de pesquisas sobre a saúde, tanto mental quanto física, de grupos em desvantagem social, cria uma atmosfera que possibilita a associação e a distorção errônea de fatos, perpetuando assim, mais um ciclo do preconceito.

Portanto, tornam-se necessárias políticas públicas que visem incluir melhor as minorias no que se diz ao acesso à saúde e a ajuda médica livre de preceitos. O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos deve veicular cartilhas e publicidades que desmistifiquem preconceito, para que assim tal artimanha patriarcal, supremacista e hétero-normativa seja desfeita. Além disso, faz-se necessário o investimento por parte do Ministério da Saúde em pesquisas sobre a saúde mental e física, relacionando com o meio social, de minorias.