As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 17/10/2020

De acordo com a Lei do Sistema Único de Saúde (SUS), sancionada em 1990, a saúde pública deve abranger princípios, tais como, a universalidade, integralidade e equidade. Entretanto, devido à significativa desigualdade social histórica do Brasil, é fato que a saúde pública não atinge de forma igualitária à toda a sociedade. Destarte, é de suma importância sanar os impactos que as diversas formas de exclusão acarretam a saúde dos brasileiros.

Primordialmente, é de grande relevância o conceito do que vem a ser saúde. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), esse conceito inclui condições físicas, psicológicas e sociais dos indivíduos, ligadas ao bem-estar e a manutenção da vida. Todavia, parcelas da população que se encontram à margem da sociedade, tais como indivíduos negros e periféricos, sofrem com a falta de acesso à saúde pública de qualidade, além de enfrentarem condições sanitárias precárias, que contribuem para o surgimento de enfermidades físicas e psicológicas. Dados coletados pelo Ministério da Saúde, mostram que jovens negros entre 15 e 29 anos têm 45% a mais de chances de cometerem suicídio, isto é, devido à todas as dificuldades provenientes do racismo estrutural, a saúde dessa população se torna mais vulnerável.

Outrossim, outros públicos também têm a saúde afetada por conta da exclusão e preconceito. Como a comunidade LGBTQI+, a qual sofre com agravantes ligados à saúde física e mental, devido ao prejulgamento à orientação sexual de seus integrantes. Assim sendo, casos como os de travestis e gays soropositivos para HIV e transexuais que realizam procedimentos de transição sexual, encontram barreiras no SUS para lidar com essas questões. Além disso, até pouco tempo, as mudanças de gênero eram tratadas como patologias, fato que remete à obra “O Alienista” de Machado de Assis, a qual retrata a patologização de comportamentos não padrões por um médico, quando na verdade, era ele quem sofria com um transtorno de obsessão pela normalidade, realidade infelizmente ainda comum.

Em suma, levando em conta todos os aspectos analisados, fica notória a importância de se sanar os impactos sobre a saúde dos brasileiros, devido as diversas formas de exclusão. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente às universidades públicas da área da saúde, fornecerem treinamentos engajados aos presentes e futuros profissionais da área, para que lidem de forma humanizada e forneçam atendimento de qualidade à todas as parcelas da população, minimizando os impactos negativos sobre a saúde dessas. Ademais, é papel do Ministério da Cidadania junto à Imprensa, promover campanhas de conscientização visando promover o respeito e tolerância. Desta forma, estará assegurado à todos o direito a vida, como preza o Artigo 5º da Constituição Federal Brasileira.