As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 22/10/2020

No final do século XX, a pandemia de HIV atingiu drasticamente a população brasileira, principalmente os grupos de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais (LGBT), por serem desprezados dos cuidados estatais de prevenção e de tratamento contra as doenças sexuais. Não obstante, as diversas formas de exclusão social ainda atingem a saúde dos brasileiros, sobretudo, devido ao descaso estatal com os cuidados aos grupos marginalizados e ao preconceito social com os “LGBT’s”. Logo, ações que revertam essa realidade repudiável são cruciais para amenizar os impactos negativos na saúde desses.

A princípio, não é errôneo afirmar que o estado brasileiro, majoritariamente, marginaliza doenças que afetam grupos excluídos. Com efeito, o filme “Carandiru” relata os horrores da disseminação do vírus HIV em uma prisão brasileira, que, para prevenir e para tratar a doença, contava apenas com médicos voluntários, sem qualquer recurso do Estado. De maneira análoga, tal fato ocorre também em favelas, as quais são, historicamente, desprezadas da maioria dos direitos constitucionais, fato que fere totalmente uma democracia e que põe em risco a saúde de todas as pessoas. Portanto, é necessário que o Estado destine mais políticas de saúde pública para os grupos excluídos, a exemplo, as favelas.   Ademais, há ainda o preconceito social que impede que os grupos, como o LGBT, procurem os serviços de saúde ou até mesmo contribua com esses, por meio da doação de sangue. Em verdade, o filósofo Jacques Derrida afirma que toda exclusão é a negação do diferente, e o excluído sente-se à margem da sociedade e, consequentemente, dos seus benefícios. Nesse viés, os constrangimentos, desde originados de outros pacientes até mesmo os profissionais de saúde, baseados em princípios conservadores radicais, é o principal fator que impede esse grupo de procurar tais serviços, e, inevitavelmente, contribui para a elevação dos casos de doenças que atingem esse público. Assim, a mudança dessa visão preconceituosa e excludente é crucial para atenuar essa problemática.

À luz dessas considerações, é evidente que para diminuir os impactos na saúde dessas pessoas excluídas, a ação governamental é crucial no que tange ao melhor investimento na saúde e na conscientização da necessidade da não exclusão. Para isso, o Ministério da Saúde deve, por meio da construção de Unidades de Pronto Atendimento (UPA) elevar projetos de assistência à saúde pública nos bairros periféricos, em favelas, em presídios, com disponibilidade de profissionais e recursos suficientes, com o intuito de amenizar os efeitos negativos da exclusão ao acesso à saúde pública. Além disso, tal órgão é crucial para criar campanhas de conscientizar as pessoas sobre a necessidade de respeitar as diferenças, para que, com tais ações, a exclusão atenue e os direitos constitucionais do acesso à saúde sejam consolidados de forma isonômica.