As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 26/10/2020

Com a chegada dos portugueses e o início da colonização, foi introduzida a escravidão, como resultado de uma suposta hierarquia racial. Assim, o Brasil iniciou o processo de construção do preconceito em sua cultura. Como resultado disso, nos dias atuais ocorre a exclusão de indivíduos pertencentes a diversas minorias sociais, fato que se reflete na saúde, gerando problemas como a alta incidência de depressão em pessoas trans e a maior mortalidade por Covid-19 entre a população negra.

Em primeiro plano, a incidência de depressão em pessoas trans é agravada pela discriminação da sociedade, onde vêem sua identidade de gênero frequentemente ser posta em dúvida. O desrespeito parte desde ofensas em redes sociais e, recentemente, até de um projeto de lei que visava determinar o gênero de um indivíduo apenas a partir de seu sexo biológico. Por consequência, de acordo com a revista The Lancet, cerca de 60% das pessoas transgênero são acometidas pela depressão, o que agrava os níveis de suicídio entre essa população.

Além disso, a maior mortalidade por Covid-19 na população negra é também decorrente do racismo estrutural gerado pela escravidão. O não cumprimento da quarentena eleva os riscos de infecção, e é gerado pela necessidade de pretos, que têm suas oportunidades limitadas pelo preconceito, continuarem a trabalhar apesar da ameaça. Consequentemente, as taxas de contágio se elevam junto com as de morte, cuja qual alcança 55% entre os negros hospitalizados, de acordo com dados de pesquisadores independentes nos municípios.

Sendo assim, pode-se observar que a discriminação traz a maior prevalência de distúrbios psicológicos em transgêneros, e o agravamento do risco de morte por Covid-19 entre pretos. Portanto, é necessário que, a curto prazo, a Polícia Civil, em parceria com a sociedade, trabalhe no combate à transfobia, amparados pela lei, contribuindo para a diminuição dos casos e a melhoria na qualidade de vida da pessoas trans. A longo prazo, o desenvolvimento, por parte do Congresso, de programas que trabalhem em uma maior distribuição de renda, pode levar à diminuição das desigualdades sociais no Brasil, aumentando a qualidade de vida da população negra residente na periferia.