As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 02/11/2020
“O importante não é viver, mas sim viver bem”. Para Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância que ultrapassa a da própria existência. No entanto, essa não é a realidade vivenciada por negros e homossexuais brasileiros, que tem sua saúde mental afetada pela coerção social que sofrem pela população. Nessa perspectiva, seja pela negligência governamental, seja pelo preconceito pregado pela população, os casos de suicídios ,no Brasil, continuam afetando ,em sua maioria, jovens negros e homossexuais. O que exige reflexão urgente.
No livro “O holocausto brasileiro” a autora Daniela Arbex documenta a história de um hospital psiquiátrico estadual fundado em Barbacena-MG na década de 1930, o qual foi projetado para receber 200 pacientes com transtornos psíquicos. Contudo, o local abrigou mais de cinco mil pessoas, as quais 70% eram saudáveis e apenas “indesejáveis socialmente”- gays, lésbicas, e negros- exiladas no local com a conivência da população, das suas famílias, e do Estado. O enredo do livro narra os diversos tipos de tortura os quais os pacientes eram vítimas, assim como os inúmeros casos de suicídio que esses cometiam. Percebe-se uma linha clara diante do exposto: a sociedade brasileira odeia, descrimina, e endemoniza todos aqueles que não se encaixam no padrão branco e heterossexual, e essa coerção social que esses grupos minoritários sofrem acaba gerando uma enorme instabilidade emocional, podendo causar a depressão e até mesmo o suicídio.
Também vale ressaltar as poucas ações públicas para atenuar a exclusão social. Segundo documentário da BBC News, 68% dos meninos entre 6 e 12 anos já sofreu “bullyng” ou algum tipo de preconceito nas escolas do Rio de Janeiro devido a cor de sua pele, ou por “parecer afeminado”. Com isso, percebemos que os brasileiros são ensinados desde a infância a serem intolerantes, a falta de conhecimento das diversidades raciais e de gênero, gera crianças preconceituosas e segregacionistas. Consoante a isso, faz-se mister que o Estado invista minimamente na conscientização da população.
Portanto, a inclusão social e a integridade da saúde mental dos grupos minoritários, no Brasil, apresenta barreiras preocupantes. Para amenizar o cenário atual urge que o Estado junto às grandes mídias publiquem, nas redes sociais e na televisão, campanhas que conscientizem a população sobre as diversidades raciais e de gênero, e os impactos que o preconceito causa na saúde mental dos cidadãos. E ainda, cabe ao Ministério da Educação a implementação de aulas sobre tolerância racial e identidade de gênero, no material didático das escolas públicas e privadas brasileiras. Espera-se, com isso, que se oblitere os casos de suicídio causados pela exclusão social. Somente assim, nos aproximaremos da realidade descrita por Platão.