As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 27/11/2020

A exclusão social é uma realidade em todo o mundo e pode ser justificada pelos preconceitos, responsáveis por segregar o mundo e torná-lo um ambientes hostil àqueles que não pertencem aos padrões impostos. Nessa perspectiva, infere-se que os indivíduos brancos heterossexuais estão em posição de privilégio e as minorias sofrem processos de exclusão constante. Tendo isso em vista, pode-se afirmar que a saúde física e psicológica dessas pessoas é negligenciada, caracterizando uma situação preocupante no país, cuja manutenção se dá pelo despreparo dos profissionais de saúde atrelada a ratificação dos preconceitos por parte dos representantes governamentais.

Primeiramente, é necessário apontar a inaptidão do órgão de saúde  para lidar com as diferenças, o que pode ser comprovado pela Pesquisa Nacional de Saúde de 2015, a qual afirma que 23,3% dos pretos e pardos já se sentiram discriminados no serviço de saúde. Diante disso, são visíveis as problemáticas de um habitante sofrer ataques por sua identidade, visto que o impossibilita de acessar um serviço que lhe é constitucionalmente garantido. Como resultado, pessoas que não se adequam aos moldes impostos não têm acesso fácil à saúde e ficam mais propensas a desenvolverem doenças graves, devido ao diagnóstico tardio.

Além disso, o Brasil está vivendo uma conturbada realidade política para as minorias, com governantes que legitimizam pensamentos intolerantes e de viés religioso, como é o caso de Damares Alves, Ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos. Nesse contexto, tais ações vão contra o pensamento do filósofo Immanuel Kant, o qual afirma que a ética - ações voltadas ao respeito a todos - deve estar acima da moral - conjunto de dogmas que não se aplicam a todos. Portanto, é imprudente permitir que tais pensamentos sejam validados e repetidos, causando cada vez mais transtornos psicológicos e marginalizantes nessa parcela da população.

Sendo assim, são necessárias medidas que solucionem o problema. Logo, o governo federal, juntamente ao Ministério da Saúde, devem mudar as políticas de atendimento do Sistema Único de Saúde, por meio da contratação obrigatória de indivíduos que representem as diversidades étnicas, sexuais e religiosas, e da elaboração de discussões com a população que sejam abertas às diferenças. Dessa forma, pessoas antes excluídas da sociedade se sentirão acolhidas e respeitadas pelas equipes médicas e discursos como os da ministra, serão contrapostos.