As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 15/12/2020

Assim como na obra vanguardista “O Grito”, de Edvard Munch - na qual é simbolizado um grande sentimento de angústia, cabendo à interpretação de ter alguém perdido no meio de uma sociedade que não o acolhe - percebe-se que, na atualidade, as diversas formas de exclusão social corroboram problemas de saúde pública. Diante disso, é imprescindível a discussão sobre contextos que associem como as formas de exclusão sociais trazem consequências danosas à saúde do brasileiro.

É válida, em primeiro lugar, uma análise de certos conceitos e da distopia vivida em relação a eles. Nesse contexto, a OMS traz uma visão holística do significado de saúde, isto é, além de condicionamento físico, estão atrelados fatores psicológicos e sociais ligados ao bem-estar das pessoas. Na realidade, porém, vê-se que o acesso aos serviços de saúde, englobando todos os parâmetros supracitados, ainda se encontra bastante defasado; sobretudo a grupos de minorias sociais - tais como negros, indígenas, homossexuais, entre outros. Isso, por consequência, diminui a qualidade de vida dessas pessoas, aumenta a proliferação de doenças e atrasa, certamente, o desenvolvimento socioeconômico do país. Assim, presume-se que o hiato vivido pelos brasileiros, em relação à obtenção de uma saúde de qualidade, é uma realidade cruel, o qual é intensificado nos grupos de minoria.

Ademais, é importante destacar o papel da mídia na prevalência desse cenário. Sendo assim, percebe-se que o domínio midiático é uma das principais causas da invisibilidade de muitos grupos socais. Isso porque, visando ao atendimento de interesses da elite, a mídia acaba não mencionando a situação real da sociedade, o que contribui para o sentimento de não representatividade de muitos, deixando-os impelidos de buscarem os serviços básicos de saúde quando sentem que algo está errado ou, quiçá, de usufruirem das diversas formas de prevenção. Esse cenário, inclusive, foi descrito por Michel Laub no seu livro “O Tribunal da Quinta-Feira”, em que o personagem Walter, pertencente à comunidade LGTQI+, demorou bastante tempo para realizar a testagem do soro positivo, com receio do que as pessoas iriam pensar dele, o que, de certo, atrapalhou tanto a sua saúde física quanto a mental.

Portanto, é necessário propor medidas que normalizem o acesso dessas minorias sociais aos serviços de saúde no Brasil. Urge, então, que o governo federal, por meio do Ministerio da Saúde, capacite os profissionais de saúde - como psicólogos, médicos e enfermeiros - ao atendimento individualizado a esses grupos que, por muitas vezes, têm necessidades específicas. Tal ação deve ocorrer por meio de palestras e minicursos semestrais, nos quais serão apontados resultados e ocorrerão debates sobre possíveis melhorias, a fim de que haja uma universalização dos serviços de saúde a todos. Só assim, quadros como “O Grito” refletirão menos a situação atual da sociedade.