As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 02/02/2021

O artigo 6 da Constituição Federal - norma suprema do sistema jurídico brasileiro - de 1988 garante como direito para todos os seus cidadãos a saúde e qualidade de vida. Entretanto, as diversas formas de exclusão na sociedade implica o descumprimento de suas leis e compromete a saúde dos mais carentes, o que precisa ser desconstruído. Para lidar com isso é necessário considerar os impactos no bem-estar social : marginalização e a higidez mental dos atingidos.

Sob análise primária, é crível discutir como a saúde debilitada fomenta a segregação. Nessa abordagem, o filósofo polonês Zygmunt Bauman criou o conceito de Instituição Zumbi, segundo o qual algumas instituições perdem sua função social. A esse respeito, o Sistema Único de Saúde (SUS) atua de maneira similar, pois torna árduo o acesso à saúde dos grupos minoritários uma vez que não há preparação qualificada e especializada para recebê-los. Logo, é gerada uma despromoção a saúde dos brasileiros e por conseguinte a vulnerabilização de parte da sociedade. Dessarte, é contraditório que no país tupiniquim a constituição cidadã possua suas leis operadas somente na teoria.

Ademais , a integridade mental dos excluidos é duramente afligida pelo problema. Nesse sentido, em 2018, cem pessoas da parcela LGBTs cometeram suicídio, que representa um aumento de 284% em relação ao ano de 2016 -26 casos- . Ocorre que  esses dados fornecidos pelo Grupo Gay da Bahia revela quanto o preconceito - constrangimento, condutas inadequadas, discriminação - dentro das unidades de saúde  afeta integridade psicológica desse grupo. Em decorrência disso, são alarmantes e perigosos os índices de suicídio, concentração de DSTs , dependência de drogas. Assim, enquanto o preconceito se perpetua, o Brasil será palco de mais uma mazela social : a tênue saúde das minorias.

É urgente, portanto, que a exclusão de alguns grupos da sociedade verde-amarela seja desconstruída para a promoção da qualidade de vida. Para isso, o Ministério da Saúde deve intervir  de modo conciliador no SUS afim de melhorar o acesso ao bem-estar, via campanhas publicitárias nos principais meios de comunicação para o esclarecimento e criticidade da problemática e também buscar humanizar o serviço de saúde pública para evitar atuação inapropriada por parte dos profissionais. Feito isso, os brasileiros verão o direito a saúde  aplicada na prática e não somente no papel.