As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 29/03/2021
A exclusão social caracteriza-se pela desigualdade no acesso a direitos básicos pelos grupos minoritários de uma sociedade. Nesse sentido, é inegável que as manifestações da exclusão social, como o preconceito e a discriminação, impactam significantemente a saúde dessa população, que, muitas vezes, é negligenciada pelo sistema. Dessa forma, urgem medidas governamentais e civis para mitigar esses estigmas e garantir o suporte vital e humanitário à essas pessoas necessitadas.
Primeiramente, convém elucidar como a discriminação e o preconceito afetam a saúde de uma população. Frequentemente, os indivíduos considerados fora do padrão da sociedade, no tocante à raça e a orientação sexual, por exemplo, são alvos de discursos de ódio e de violência, o que fere os seus direitos mais básicos - a dignidade e a cidadania. Com isso, a vulnerabilidade social torna-se um fator de risco para o adoecimento mental, uma vez que essas situações podem desencadear transtornos psicológicos. Esse fato é evidenciado pelo Ministério da Saúde, que indica que adolescentes e jovens negros têm a maior chance de cometer suicídio no Brasil. Desse modo, é crucial que esses indivíduos tenham uma maior assistência das estruturas governamentais.
Segundamente, é imprescindível que o sistema de saúde pública seja desenvolvido de forma empática e acolhedora para essas minorias. De acordo com o filósofo Emmanuel Lévinas, a alteridade designa o exercício de colocar-se no lugar do outro, de perceber o outro como uma pessoa singular e subjetiva, isto é, o reconhecimento e o respeito das diferenças. Portanto, esse princípio é fundamental para humanizar os cuidados na saúde e promover a universalidade, igualdade e equidade garantida na Lei 8080, tendo em vista o acesso efetivo à consultas médicas, exames e tratamentos específicos que essa população demanda.
Por fim, medidas são necessárias para combater a exclusão social, de forma a melhorar a saúde dos indivíduos afetados. É dever do Ministério da Cidadania, em uma parceria com as emissoras midiádicas, promover a diversidade e a inclusão mediante a transmissão de novelas com personagens que representem diversas etnias e situações sociais, de forma a incentivar o esclarecimento e o contato com realidades distintas. Dessa maneira, será possível reduzir a imposição de padrões sociais e enaltecer a heterogeneidade da sociedade brasileira. Ademais, é de suma importância que o Ministério da Saúde impulsione palestras para os profissionais do Sistema Único de Saúde, com a participação de psicólogos e especialistas, a fim de orientar acerca de um atendimento humanizado e baseado na alteridade. Assim, a ética de Lévinas poderá beneficiar esses indivíduos que tanto necessitam, propiciando o pleno acesso à saúde e a diginidade.