As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 10/04/2021

A Lei do Sus 8080, criada em 1990, garante o acesso aos serviços públicos de sáude em sua integralidade, assegurando não apenas a saúde física, mas também, a saúde mental, psicológica e social para todos os cidadãos, sem distinção de qualquer fator, seja ele social, econômico ou pessoal, firmando assim, o princípio de equidade em seus atendimentos. Entretanto, na prática, tal garantia é deturpada, uma vez que as formas de exclusão pelos serviços públicos de saúde estão presentes na realidade de muitos cidadãos brasileiros, os quais são corroborados pelo preconceito e pela falta de acesso, notada no cotidiano dos indivíduos, ocasionando graves óbices à sociedade.

A princípio, vale ressaltar os pilares históricos da prenoção nos ambientes hospitalares. O livro “Holocausto Brasileiro” (2013), escrito pela jornalista Daniela Arbex, retrata os maus-tratos sofridos por inúmeros pacientes do Hospital Colônia de Barbacena, fundado em 1903, que ganhou a alcunha de “Cidade dos Loucos”. No local, indivíduos foram internados à força, pois eram considerados doentes mentais, majoritariamente homossexuais e negros, tornando-se claro a visão intolerável que a sociedade tinha por pessoas julgadas diferentes. A tragédia brasileira de Barbacena causou mais de 60.000 mortes, as vítimas eram submetidas ao frio e à fome, além de torturados e violentados. Fatos como esse revelam raízes que hodiernamente sobrevêm aos que carecem de atendimento adequado e não o alcançam justamente pela desigualdade nos serviços prestados.

Ademais, pode-se mencionar os impactos causados pela dificuldade no acesso da saúde. O consenso de que a cobertura desse direito é universal, e coloca o Brasil entre os sete países com maior extensão de sua execução, mas as estatísticas não confirmam esse dado. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, 15% da população não tem acesso real às unidades hospitalares em locais mais pobres, devido à falta de serviços em sua vizinhança, de condições para pagar transporte, pelas longas filas de espera para o atendimento ou a falta de médicos. Esse cenário prejudica de forma direta a saúde dos cidadãos, desta forma, não pode perdurar na sociedade.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater a atual conjuntura. Para isso, é de mister que o Estado, por intermédio do Ministério da Saúde promova levantamentos estatísticos das situações mais latentes em regiões mais pobres, e com isso, diponibilize de capital financeiro adequado para sanar as carências supracitadas, com a finalidade de propiciar condições de saúde justas aos cidadãos. Outrossim, é a atuação do governo federal por meio do Ministério da Educação, para implementar na Base Nacional Comum Curricular, programas que propaguem a equidade entre os indivíduos, a fim de formar futuros profissionais acolhedores e empáticos. Assim, consolidar-se-á…