As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 05/05/2021
A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreve saúde como o estado de completo bem-estar físico, mental e social. Entretanto, nota-se que essa definição contrasta com a realidade vivida pelas minorias no Brasil, que dia após dia têm esse direito básico negado. Dessa forma, marca-se um sistema totalmente despreparado e negligenciador com a população que não se encaixa no padrão branco e heterossexual hegemônico, havendo uma completa falta de capacitação profissional e logística no tratamento da população negra e LGBT brasileira.
Em vista disso, a Lei Áurea , sancionada em 1888, libertou as pessoas escravizadas de origem africana, mas não pôs fim a injustiça que acompanha essa população. Desse modo, o tratamento psicológico voltado para os afrodescendentes ainda é acompanhado de um passado de violência e exclusão, sendo que de acordo com o Ministério da Saúde em 2018, jovens negros tem 45% maior probabilidade de cometerem suicídio que jovens brancos. Nesse sentido, a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, reconhece o racismo e as desigualdades étnico-raciais como determinantes sociais das condições de saúde, criticando a falta de profissionais psicólogos e psiquiatras negros além da falta de conteúdo nas faculdades voltados ao tratamento especializado dessas pessoas.
Nesse contexto, outra minoria que sofre com efeitos de um sistema exclusivo de direitos básicos é a comunidade LGBT. Dessa maneira, de acordo com o cientista social e psiquiatra americano Ilan Meyer, níveis de estresse estão altamente ligados a grupos subalternos e estigmatizados pela sociedade. Portanto, dados como os apresentados na pesquisa feita pela revista Veja em 2017, em que os jovens homossexuais tem três vezes mais chances de sofrer com ansiedade e depressão do que os heterossexuais, corroboram as injustiças e desigualdades enfrentadas por essas pessoas, que além de sofrer com a desaprovação social, muitas vezes também sofrem preconceito pelos próprios profissionais da saúde que os atendem.
Isso dito, faz-se urgente que o Ministério da Saúde em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e com o Conselho Federal de Psicologia (CFP) busquem uma maior capacitação de seus profissionais. Sendo assim, por meio da formulação de palestras e do aumento de conteúdos dados nas universidades relacionados ao tema, busca-se preparar ao máximo os trabalhadores da área da saúde a fim de que formulem um espaço democrático e preparado para lidar com as minorias. Isso feito, espera-se que esse direito básico possa se tornar mais acessível para todos, independente de classe social, etinia, raça e sexualidade, mudando o panorama daqueles que hoje têm seu bem-estar refutado somente por serem quem são.