As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 04/05/2021
Carlos Drummond de Andrade concluiu: “ Sob a pele das palavras há cifras e códigos. O sol consola os doentes e não os renova.’ E João Cabral de Melo Neto vociferou: “Morte de que se morre de velhice antes dos trinta… De emboscada antes dos vinte, (…)(de fraqueza e de doença, é que a morte Severina ataca em qualquer idade, e até gente não nascida)”. Da crítica social deste à autenticidade daquele, o Brasil do século XXI ainda se sustenta em bases frágeis do sistema de saúde pública em decorrência do comportamento social e do império do capitalismo. Brasil do SUS? E a pífia noção de saúde coletiva? Brasil, país do futuro? E as doenças que assolam o país por falta de informação? É nesse de diálogo entre saúde e sociedade que se delineia a discussão sobre os desafios da saúde do homem no séc. XXI.
A Era da Globalização teve seu discurso de integração rompido a partir do estabelecimento de um corpo social dominador. A nova ordem econômica mundial - o capitalismo - é responsável por alimentar a patologia da masculinidade frágil. A pesquisadora da Universidade de Connecticut, Mary Himmelstein, disse à BBC Brasil que homens evitam médicos por medo de serem vistos como fracos. Tudo porque nossas sociedades se ligam as ideias de bravura e autossuficiência aos papéis masculinos. A pesquisa diz que quanto mais os homens se importam com padrões de masculinidade impostos culturalmente, mais evitam ir ao médico e minimizam problemas de saúde.
Irrefutavelmente, a sociedade brasileira possui um passado histórico marcado pela imposição do homem. Desde a República Oligárquica, quando os coronéis firmaram a cultura do patriarcalismo, o gênero masculino se estabeleceu como figura central do corpo social. O homem é criado desde pequeno com o pensamento de que é um super herói, e não precisa de acompanhamento medico ao contrario da mulher que desde da infância e instruída a ir ao medico. Além disso, os atos de corrupção colaboram para que não haja um sistema digno de saúde. Infelizmente, são inúmeros os casos de desvios de verbas e a falta de transparência sobre as transações financeiras que, até então, deveriam ser destinadas aos investimentos na infraestrutura dos hospitais públicos.
Portanto, os desafios da saúde do homem mantém o Brasil preso às limitações. A filosofia de Platão é muito interessante ao relacionar a educação para se construir uma sociedade ideal. Música, teatro, palestras interativas e oficinas de debate, através da parceria entre Secretaria de Educação e Saúde, são fundamentais para aquisição de novos valores e mudança de paradigmas. Além disso, o governo deve ser mais severo em relação aos casos de corrupção e agir conforme a lei, punindo os envolvidos e, com a ajuda da mídia, divulgar tais ações para que as denúncias sejam transparentes e que, com o acompanhamento da população, essa situação não persista.