As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 19/07/2021
De 1994, em um dos episódios da série “Emergency Room”, após ser excluída de sua família, sofrer uma gama de preconceitos ao longo de sua vida e ser discrminada pelo próprio médico, a travesti srta. Charleston se mata ao pular do topo do pronto socorro para, finalmente, conseguir paz. De maneira análoga, hodiernamente, assim como ela, diversos outros seres humanos não têm o devido tratamento na saúde pública. Nesse sentido, em razão de comportamentos tóxicos e de uma despreparação dos profissionais, emerge um problema complexo — o qual precisa ser revertido urgentemente.
Diante desse cenário, vale destacar que os tabus enraizados no país reflete, diretamente, nas condutas de uma grande parcela do povo. Sendo assim, consoante a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. Sob esse ângulo, ao se analisar o panorama nacional, nota-se que a intolerância é algo bastante comum, pois muitos membros da comunidade LGBT, às vezes, evitam buscar assistência para evitar piadas e constrangimentos, já que condutas preconceituosas podem partir, até mesmo, dos próprios profissionais da saúde. Assim, para levar acolhimento às minorias, é necessário desconstruir o principal impasse evidenciado por Harendt: a banalidade do mal.
Ademais, é importante salientar que a falta de material voltado às diferenças nas universidades é um forte fator para a despreparação de muitos estudantes. Nesse viés, conforme o filósofo Immanuel Kant, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. À vista disso, ao se observar a grade curricular dos cursos superiores, percebe-se que, na maioria das faculdades, não existem cadeiras específicas que abordem sobre a saúde das minorias, o que torna esses futuros trabalhadores despreparados para lidar com tais pacientes. Com isso, um possível caminho para ofertar uma saúde pública de qualidade para todos os brasileiros é usar, no nível superior, o raciocínio de Kant: fazer o indivíduo crescer intelectualmente a partir de um ensino de qualidade — o qual preze pelo respeito mútuo.
Infere-se, portanto, que a mídia, a qual tem papel fundamental na curadoria, organização e legitimação das informações, por meio das redes sociais, deve criar um evento que aborde sobre os preconceitos que gays, travestis e transexuais sofrem ao longo de suas vidas, a fim de tornar o público mais empático. Por sua vez, os Conselhos federais de Medicina e de Enfermagem precisam organizar um projeto científico voltado às diferenças, por intermédio da adição de uma nova cadeira — que abordará sobre os cuidados específicos com os LGBTS —, na grade curricular desses cursos, com o intuito de preparar melhor os futuros médicos e enfermeiros. Dessa forma, espera-se extinguir as diversas formas de exclusão e de preconceitos, assim como melhorar a vida de todos os brasileiros.