As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 07/08/2021
A Lei do Sistema Único de Saúde (SUS) estabelece os pilares nos quais o sistema é construído, sendo eles: universalidade, integralidade e equidade. Todavia, esses pilares se veem invalidados ao analisar as mazelas sociais que acometem as populações vulneráveis. Sendo assim, torna-se necessário analisar como os diferentes tipos de preconceito afetam a saúde dos indivíduos.
Em primeira instância, o racismo compromete seriamente a saúde mental de jovens negros. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde em 2016, jovens negros de 15 a 29 anos tem 45% de chance a mais de cometerem suicídio comparados a jovens privilegiados. Dessa forma, o racismo estrutural presente nas relações humanas invalida o bem-estar da população afrodescendente, seja por base da segregação racial ou negligenciando sua saúde mental, tornando utópico o pilar da integralidade, uma vez que o bem-estar se mostra comprometido, levando os jovens ao suicídio.
Outrossim, populações vulneráveis sofrem com desigualdades quanto ao acesso à saúde. O documentário “O Holocausto Brasileiro” retrata o Hospital Colônia de Barbacena, onde eram internados os indesejados socialmente, dependentes químicos, meninas grávidas, homossexuais e questionadores do regime militar, evidenciando a profunda desigualdade socioeconômica na sociedade brasileira, pois o Hospital em questão não cumpria seu papel, excluindo os indivíduos da sociedade e pondo em risco o bem-estar coletivo, não proporcionando uma reabilitação aos necessitados e internando com base no preconceito, tornando necessário mudanças no pensamento sobre o que é doença.
Tendo em vista os fatos supracitados, são necessárias reformas no pensamento coletivo e nas instituições sociais, para que os três pilares do Sistema Único de Saúde sejam garantidos. Isto posto, urge ao Ministério da Cidadania, em conjunto ao Ministério da Saúde, a elaboração de campanhas midiáticas, por meio de verbas governamentais, que busquem questionar e erradicar preconceitos quanto a raça, sexualidade, gênero e renda, para que assim, a integralidade seja garantida aos usuários do SUS, promovendo o respeito e o bem-estar social. Cabe ainda ao Ministério da Saúde a promoção de atendimentos especializados aos grupos acometidos pelas mazelas socioeconômicas, por meio da destinação de verbas por parte do Governo, para que todos possuam atendimento médico digno, acarretando melhorias nos indicadores de saúde e na saúde física e mental de populações vulneráveis.