As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 07/08/2021
Na música “Quase uma semana”, do cantor BIN, com participação de Borges, este cita, para sua amada, “a solidão de um jovem negro”, que, criado na periferia, sofre com todo o preconceito da sociedade brasileira e com a falta de oportunidades de mudança de vida. Assim, esses fatores influenciam diretamente na vida do preto no Brasil, afetando diretamente a qualidade da saúde dessa população, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Nesse sentido, são nítidos os problemas causados pela discriminação e pelo preconceito à saúde dessa população excluída, haja vista o sofrimento diário das minorias étnicas e a baixa efetividade dos programas sanitários para o trato dessas questões.
Nessa conjuntura, é importante destacar o cenário preocupante dos indivíduos marginalizados no país. Dados do Ministério da Saúde de 2016 apontam que jovens negros, entre 15 e 29 anos, possuem 45% de chance a mais de cometerem suicídio, quando comparados aos brancos. Este e outros números revelam uma das facetas da população brasileira: a de um país que, mesmo com suas vastas diversidades raciais e culturais, provenientes da miscigenação do período colonial, ainda sofre com o racismo estrutural presente na sociedade, gerando cada vez mais distúrbios psicológicos e físicos nos indivíduos afrobrasileiros.
Concorrente a isso, destaca-se a inefetividade dos programas do governo na área da saúde para o cuidado com os discriminados no Brasil. No país, foi implantada, em 2009, a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, que tinha por objetivo o combate ao racismo institucional nos hospitais do SUS. Todavia, é possível notar a ineficiência deste serviço, tendo em vista que a discriminação ainda é frequente no sistema. Dados da PNSIPN apontam que os negros são os que mais sofrem com uma menor expectativa de vida, maiores taxas de mortalidade infantil e materna, e alto índice de violência obstétrica. Isso necessita ser combatido pelas autoridades.
Portanto, tendo em vista a problemática atual, é necessário que o Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Educação, desenvolva medidas que melhorem as condições de saúde dos negros no Brasil, como campanhas de conscientização, veiculadas na internet e na TV, contra o racismo e a violência médica contra a população negra, tanto no SUS quanto em serviços privados, fortalecendo a consciência antirracista na sociedade nas diversas faixas etárias, e a implantação de projetos nas faculdades de Medicina para a formação de profissionais com essa mentalidade contra o preconceito, para que sejam profissionais compromissados com a igualdade no Brasil. Só assim será possível que a sociedade brasileira seja mais igualitária e livre de segregações.