As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 03/08/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê a igualdade como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, observa-se exatamente o contrário quanto à questão das diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde dos brasileiros. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema, em virtude da falta de representatividade e do descaso governamental.

Primeiramente, deve-se destacar a ausência de representatividade como um impulsionador dos impactos negativos na saúde brasileira. Essa compreensão dialoga com o pensamento de Pierre Bourdieu, filósofo francês, o qual afirma que a violência simbólica é aquela exercida sem coação física, causando danos morais e psicológicos, uma vez que a invisibilidade midiática de corpos marginalizados impede que, por exemplo, pessoas negras e homossexuais se reconheçam na sociedade, contribuindo, assim, para diversos quadros de doenças psíquicas, como depressão e ansiedade. Além disso, os poucos papéis dirigidos as pessoas socialmente excluídas, geralmente, carregam estereótipos negativos, ou seja, colaboram ainda mais para o ciclo da exclusão e do adoecimento desse grupo social. Logo, são necessárias medidas para mudar esse cenário maléfico.

Ademais, é imprescindível pontuar a negligência do Estado com as diversas formas de exclusão e suas consequências. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo que o governo exerce no combate da exclusão brasileira e do tratamento das doenças geradas. Conforme Aristóteles, filósofo grego, a política tem como função preservar o bem-estar social. Dessa forma, contrariando o pensador, o governo, que deveria promover a igualdade, não combate as inúmeras formas de exclusão e os seus efeitos, ignorando ações, como a melhora do Sistema Único de Saúde (SUS), que minimizem os resultados da exclusão na saúde mental dos brasileiros.

É necessário, portanto, medidas suficientemente efetivas para combater as diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde dos brasileiros. Posto isso, cabe ao Estado, com o apoio das grandes emissoras, inserir as pessoas marginalizadas na mídia e, por meio das personagens, resgatar a visibilidade desse grupo. Essa medida focará em diminuir, principalmente, a falta de representatividade de tais indivíduos. Paralelamente, é preciso investir nos programas públicos de saúde psicológica e psiquiátrica. Dessa maneira, os direitos constitucionais poderão ser assegurados.