As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 07/08/2021
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Na sociedade brasileira, contudo, as minorias sociais têm sofrido com o desabono nessa área. Isso acontece devido à constante manutenção de estigmas e preconceitos relacionados a essas pessoas e também à falta de preparo dos profissionais da área da saúde para oferecer tratamento adequado a elas.
Como exemplo de minorias sociais, é possível citar as pessoas negras, os pobres, os homossexuais entre outros. Segundo o IBGE, da população pobre do Brasil, 73% são pessoas negras. Em adição, de acordo com a pesquisa feita pela revista científica “The Lancet”, adultos com idade entre 40 e 85 anos com o nível socioeconômico baixo podem ter sua expectativa diminuida em até dois anos. Porque, além dos fatores comuns que podem reduzir a longevidade de qualquer indivíduo, essa parte da população ainda possui os obstáculos da falta de saneamento básico, moradias insalubres, hospitais com estrutura precária e, em especial, a violência que, nesse caso, pode ser ocasionada em virtude do racismo estrutural presente na sociedade.
Em contrapartida, a questão da saúde dos homossexuais é igualmente preocupante no Brasil. Visto que, apesar do Sistema Único de Saúde manter como pilares a universalidade, a integralidade e a equidade, por falta de preparo dos profissionais da área, esse grupo de pessoas é desprezado e tratado de maneira desrespeitosa. Aqui, é importante ressaltar que foi apenas em 1990, há 30 anos, que a OMS retificou a homossexualidade como não sendo uma patologia. E, foi somente em 2019, na 72º Assembleia Mundial da Saúde, a transexualidade deixou de ser considerada como doença mental. Por serem esses acontecimentos recentes, insiste na sociedade o preconceito contra a população LGBTQIA+ e esse é sentido também nos consultórios médicos e postos de saúdes, onde eles são, por muitas vezes, estereotipados e rejeitados. Por não encontrarem tratamento conveniente, acabam evitando esses locais e deixando de buscar cuidados para o corpo.
Urge, portanto, que o Ministério da Cidadania em parceria com o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, através da mídia, atuem promovendo a conscientização da população sobre o preconceito estrutural nas relações com sujeitos de grupos marginalizados. Ademais, o Ministério da Saúde em conjunto com as faculdades de Medicina e Enfermagem devem oferecer palestras e aulas de relacionamentos interpessoais com foco no respeito às diferenças e no tratamento específico às minorias sociais. Assim, essas pessoas serão tratadas como de fato devem ser e terão mais saúde.