As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 06/08/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com as diversas formas de exclusão na saúde brasileira torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela negligênia governamental, seja pelo preconceito instaurado na sociedade, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
A princípio, é importante mencionar a negligência do Governo como fator determinante para a permanência dessa questão no país. Sob esse viés, segundo o Contrato Social, proferido pelo Filósofo John Locke, cabe ao Estado fornecer medidas que garantam o bem-estar social, porém, essa não é a realidade. Desse modo, essa insuficiência do aparato institucional se configura como uma falta grotesca da função do Estado com o Contrato Lockeano. Por conseguinte, uma grande parcela da população fica à margem da sociedade, assumindo para si a situação de subcidadania, por ter direito à saúde plena, assegurado pela Carta Magna, deturpado. Logo, é essencial que o Contrato Social seja cumprido, a partir de medidas governamentais.
Outrossim, questões sociais estão intimamente ligadas às formas de exclusão na saúde do brasileiro. Nesse âmbito, a cegueira moral, fenômeno exposto por José Saramago em sua obra “Ensaio sobre a Cegueira”, caracteriza a alienação da sociedade frente às demais realidades sociais, a qual é fomentada pelo preconceito instaurado na sociedade, tornando cada vez mais difícil o acesso à saúde no Brasil. Em suma, é fundamental a intervenção do corpo social na sociedade em que vive e, sobretudo, na formação de um Brasil melhor.
Portanto, é necessário que haja uma intervenção diante dessa situação. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde - responsável pela elaboração de planos e políticas públicas voltadas para assistência à saúde dos brasileiros, por meio de campanhas publicitárias, combater à desinformação e o preconceito disseminados pela sociedade, como forma de garantir o direito à saúde evidenciado pela Carta Magna de 1988. Assim, tornar-se-ia possível alcançar o bem-estar social proferido pelo Filósofo John Locke.