As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 06/08/2021
Na série “Alguém tem que morrer”, realizada na Espanha, na época de 1950, é retratado um cenário distópico e extremamente conservador, em que inúmeras pessoas morrem ou sofrem coerção por apenas aparentar estar em um relacionamento homoafetivo, ou mesmo, por possuírem uma cor de pele negra, impossibilitando uma condição de vida digna e com direitos. Hodiernamente, fora das telas, os brasileiros também sofrem com diversos tipos de descriminação, principalmente no que tange ao acesso à saúde de minorias sociais, seja pelo preconceito enraizado na sociedade, seja pela falta de auxílio do Estado, o problema permanece exigindo uma melhoria urgente.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que tal problemática é fomentada pelo esteriótipo criado culturalmente, que traz uma visão pejorativa desses grupos minoritários. Nesse contexto, segundo o conceito da indústria cultural imposta na sociedade, o ser humano tende a seguir cegamente em um padrão de consumo, o que o mantém frequentemente habituado a deflorar as camadas sociais menos favorecidas, no entanto, fica excluso o valor ético e o posicionamento crítico nas relações humanas, reafirmando a teoria do professor e filósofo Leandro Karnal. Dessa forma, fica claro que a inércia de ações para mudar esse cenário culmina cada vez mais na permanência do impasse.
Outrossim, é primordial uma avaliação das medidas adotadas pelos governantes, que costumam não efetivar a inclusão de toda a população no âmbito da saúde. Nesse sentido, segundo Dilson de Oliveira Nunes, “a ignorância é a raiz de todos os males”, ou seja, a invisibilidade a qual o problema é tratado, por parte do governo, origina uma agravação gradativa de um cenário excludente, corroborando para a perpetuação da problemática. Nesse contexto, é evidente que medidas precisam ser tomadas com urgência para mudar a conjuntura dessa situação.
Portanto, para que a segregação de pessoas no acesso à saúde deixe de ser padronizada na sociedade, é necessário incrementar as medidas adotadas pelo Estado. Sob esse viés, cabe ao governo, como intermediador entre o acesso da população e a saúde dela, promover mais equidade na garantia de direitos das parcelas desfavorecidas da comunidade, por meio de um plano de ação organizado em prol do combate a discriminação e o preconceito no acolhimento/atendimento dos setores de saúde, a fim de eliminar as barreiras que impedem o desfrute de direitos das camadas necessitadas da sociedade. Somente então, notar-se-á uma significativa melhora na qualidade de vida de todos os cidadãos brasileiros.