As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 05/08/2021
Na série original de uma rede de streaming, “Sex Education”, é retratada em um de seus episódios, uma cena de aborto, executado por uma jovem, Maeve, em consequência de uma gravidez indesejada. No Brasil, o aborto é uma questão que gera constantes polêmicas, tendo vista que há vários pontos chaves a discutir, sendo um deles a crescente taxa de fecundidade infantojuvenil. Tal problemática promove múltiplos obstáculos a essas jovens, sendo associada em especial a fatores socioeconômicos. Nesse contexto, é fato que a gravidez na adolescência é uma adversidade no País, acarretada não só pela escassez de educação sexual por parte da família e da escola, mas também por conta da falta de informação sobre os métodos contraceptivos.
Pode-se observar que a ausência de informação e acesso aos meios contraceptivos é um grande impasse à prevenção da gestação na adolescência, principalmente entre meninas pobres e menos escolarizadas. Segundo o IBGE, a taxa de fecundidade ocorre, na maioria dos casos, entre adolescentes mais pobres e com menos escolaridade. Em consequência disso, é válido evidenciar a deficiência no acesso aos contraceptivos e às informações de como usá-los corretamente. Outrossim, as redes sociais banalizaram os atos sexuais, esquecendo-se que pode gerar uma gravidez e desenvolvimento de DSTs. Outro fator é o descaso pela rede de saúde pública ao atendimento das jovens grávidas. Já houverá vários casos de preconceito sofridos decorrente de uma junta médica elitizada.
A exclusão dessas jovens grávidas pela saúde pública e privada acarreta várias consequências para a mãe e para o bebê. Ao sofrer preconceito, a jovem, com o psicológico afetado, procura redes de aborto ilegais, ou formas “caseiras” de ser realizado. As consequências do aborto clandestino incluem perfuração do útero, infecção, tétano, esterilidade e também inflamações das trompas. Uma consequência socioeconômica é o abandono dos recém nascidos, que sem recursos para os cuidados, dão as crianças para um orfanato, que futuramente poderão ter problemas psicológicos.
Ao analisar os fatos mencionados, é necessário que o Governo federal junto do Ministério da educação criar projetos e campanhas nas escolas, por meio de palestras, apresentações e atividades sobre educação sexual, que também envolvam as famílias, orientando e garantindo o direito dos adolescentes ao acesso à educação sobre sexualidade. Além disso, é imprescindível que o Ministério da Saúde destine um número maior de verba às secretarias de saúde, para garantir a adquiração de contraceptivos em todas as regiões, especialmente as menos favorecidas. Com essas medidas, as taxas de gravidez juvenil no Brasil irão diminuir, e várias jovens, como por exemplo a Maeve da série citada acima, poderão gestar apenas quando desejado.