As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro
Enviada em 04/08/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela ONU - assegura a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. No entanto, ao analisar o contexto atual da sociedade brasileira, é evidente que esse princípio universal não é efetivo na prática, uma vez que no sistema de saúde pública são perceptíveis as diversas manifestações de exclusão social a grupos minoritários. Nesse sentido, é urgente a necessidade de analisar como a negligência estatal e a falta de empatia da sociedade impulsionam tal problemática.
Em primeiro lugar, vale salientar o descaso governamental em relação à saúde pública. Segundo o contratualista John Locke, é dever do Estado garantir que todos os cidadãos usufruam dos direitos naturais essenciais ao ser humano. Nesse viés, no tocante a indivíduos marginalizados socialmente, como negros e os grupos LGBTQ+, o poder público se omite e não corrobora para que esses indivíduos desfrutem dos princípios constitucionais básicos. Tal fato ocorre devido a pouca qualificação profissional dos servidores da saúde em prestar um atendimento coerente e adequado a esse público sem quaisquer formas de discriminação. Consequentemente, esses indivíduos ficam vulneráveis a desenvolver problemas psicológicos comprometendo, assim, o seu bem-estar.
Outrossim, é válido ressaltar o despreparo civil em conviver com as diferenças no âmbito social. Diante disso, o escritor José Saramago, em sua obra “Ensaio sobre a cegueira”, descreve uma sociedade que se torna cega frente às demais realidades sociais. Sob tal ótica, os preconceitos manifestados de diversas formas na sociedade são naturalizados, o que favorece com a exclusão das minorias. Isso reflete na qualidade de vida desses indivíduos, visto que não conseguem integrar nas demais áreas sociais e, posteriormente, acabam por comprometer ser desenvolvimento físico e mental, na qual gera diversos problemas na vida social dessas minorias.
Infere-se, portanto, que é imprescindível medidas para mitigar todos os tipos de exclusão social vivenciados na saúde pública brasileira. Logo, cabe ao Ministério da Saúde - ramo do Estado responsável pela saúde pública - promover cursos de capacitação aos profissionais da área para que possam atuar de forma efetiva com todos os grupos sociais, por meio de graduações específicas em saúde coletiva, de modo a facilitar os atendimentos e prestar um serviço igualitário para toda à sociedade. Ademais, o Ministério da Educação deve incluir na grade curricular dos docentes palestras e atividades lúdicas que desenvolva o senso o crítico diante de todas as diferenças sociais, por intermédio da disciplina de Sociologia, com o objetivo de formar cidadãos aptos a viverem em coletividade e em prol do bem-estar do outro.