As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 06/08/2021

No filme brasileiro “Cidade de Deus” lançado em 2002, o personagem Buscapé é retratado por um jovem pobre, negro e morador de uma favela muito violenta do Rio de Janeiro, que possui o sonho de ser fotógrafo, mas por conta do racismo das pessoas essa realização profissional ficou prejudicada. Nesse contexto, fica evidente que a exclusão social traz impactos negativos em vários aspectos, inclusive na saúde das vítimas desse preconceito, que se torna precária e de difícil acesso aos negros, pessoas da comunidade LGBT e pobres, deixando-os suscetível à doenças mentais, por exemplo.

Em primeiro lugar, fica claro que os negros e LGBT são tratados de forma indiferente pelos profissionais de saúde quando buscam ajuda médica. Recebem comentários e olhares desrespeitosos que ferem a identidade do indivíduo dificultando o acesso igualitário e qualificado, o que leva ao adoecimento mental e prevalência de depressão causada por esse preconceito e medo. Segundo dados da pesquisa “Saúde de Minorias Sexuais do Nordeste Brasileiro: Representações, Comportamentos e Obstáculos” feita pela Pepsic, as vítimas do preconceito são pouco estudadas em amostras no que diz respeito à saúde e a desigualdades. Entretanto, indicam que o acesso desses sujeitos à saúde decorre por uma série de violações e obstáculos, em virtude dos heterossexuais e racistas.

Além disso, a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Mas, na prática isso não ocorre e muitos indivíduos recebem tratamentos precários por falta de capacitação dos profissionais de saúde ou por se recusar a atender negros, LGBT ou pessoas de baixa renda. Logo, a deficiência no acolhimento dessa população nos serviços de saúde, junto à inadequação das abordagens profissionais por percepções equivocadas, resulta em dificuldade de acesso, desqualificação da assistência prestada e afastamento previsível dessas pessoas das ações de cuidado com a saúde.

Portanto, para resolver o problema dos impactos da exclusão na saúde e garantir qualidade desse direito à todos, o Ministério da Saúde deve desenvolver estudos, por meio de projetos científicos que visem atender à todos de forma igualitária e com qualidade. Ademais, o Ministério da Justiça deve aplicar e fiscalizar as leis, por meio dos juízes para assegurar os direitos humanos e o respeito entre todos da sociedade. Com o apoio das mídias e nas escolas deve-se criar discussões que ajude a desconstruir o preconceito e alertando a população para necessidade de atenção especial para esses temas.