As diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde do brasileiro

Enviada em 07/08/2021

No livro “Holocausto Brasileiro”, da jornalista Daniela Arbex, é contada a real história do Hospital Colônia de Barbacena, instituição psiquiátrica para onde pacientes negros, homossexuais e mulheres eram erroneamente enviados para tratarem suas doenças. Fora da literatura, tal obra estabelece uma relação entre as diversas formas de exclusão e seus impactos sobre a saúde dos brasileiros. Dessa forma, faz-se necessário discutir o tema, sendo essa problemática agravada pela influência dos padrões sociais e pela ineficiência das esferas estatais. Tal fato reflete uma realidade extremamente complexa no que diz respeito aos seus efeitos sobre a população nacional.

A priori, de acordo com a Teoria da Tábula Rasa, do filósofo inglês John Locke, os seres humanos são moldados pela sociedade e seus costumes. Hodiernamente, tal conceito aplica-se aos brasileiros, que se veem integrados a um cenário em que a influência dos padrões sociais gera uma pressão exacerbada sobre aqueles que não os seguem. Destarte, os indivíduos que compõem os grupos de minoria acabam por não se sentir como parte efetiva do corpo social, o que os leva ao desenvolvimento consequente de inúmeras doenças psicossomáticas, como a depressão e a ansiedade, por exemplo. Portanto, a imposição de valores coletivos discriminatórios mostra-se como um problema de saúde pública e traduz um triste panorama que deve ser revisto.

Outrossim, de acordo com a Teoria do Pacto Social, do filósofo francês Jacques Rousseau, os indivíduos confiam suas necessidades ao Estado, que deveria, em contrapartida, cumprir com seus deveres. Entretanto, tal conceito encontra-se deturpado na sociedade brasileira moderna, uma vez que o poder público mostra-se falho na responsabilidade de garantir um sistema de saúde abrangente e universal. Assim, os públicos minoritários sofrem com programas que não atendem às suas necessidades e não se adequam a elas, o que eleva, consequentemente, o índice grupal de mortalidade e fere o direito básico à saúde.

Diante do exposto, para amenizar os impactos das diversas formas de exclusão sobre a saúde dos brasileiros, medidas devem ser tomadas. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde, responsável pelo acesso dos cidadãos aos sistemas públicos de saúde, criar, por meio da utilização de verbas públicas, o Plano Nacional de Inclusão, o qual consistirá no maior investimento em infraestruturas hospitalares e em tratamentos voltados para os públicos minoritários. Posto isso, tais medidas teriam por finalidade modernizar o acesso dos indivíduos à assistência médica e torná-lo universal, de modo a atender às diferentes necessidades das pessoas. Somente assim será possível construir um futuro melhor e a realidade distanciar-se-á da história descrita por Daniela Arbex.