As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas
Enviada em 10/09/2019
Cara ou coroa - a criptomoeda e sua dicotomia
Em sua obra “A Cidade e as serras”, o escritor português Eça de Queiroz expõe os contrastes que a tecnologia pode oferecer para o mundo, desde seus aspectos positivos, até mesmo seus malefícios. Fora das páginas, é fato que a inovação digital também tende a ser benévola – como no caso das criptomoedas – já que o mercado especulativo agora existe no ciberespaço. No entanto, a utilização do Bitcoin como moeda não gera apenas inserção do mercado no meio informacional, mas acarreta muitos problemas para a pós-modernidade.
A princípio, reconhece-se como a tecnologia apresenta dicotomia quanto a seus fins. Acerca disso, rememora-se o discurso do filósofo Pierre-Lévy, que disserta que o papel de toda tecnologia, em suma, é trazer benefícios e facilidade ao ser humano, contudo, é inexorável que essas inovações também propiciam malefícios, já que a internet, por exemplo, diminui distâncias globais e aumenta distâncias locais. Dessa maneira, a adoção de uma criptomoeda, por mais que se adeque ao meio-informacional do novo século, também culmina em problemas no que tange sua especulação, haja vista que, na internet, a maioria das ações podem ascender descender de maneira abrupta, como, por exemplo o valor do Bitcoin.
Ademais, essa inovação, além de ser volátil na rede mundial de computadores, é também responsável por um significativo problema ambiental. Segundo o site TAB, a aquisição dessa criptomoeda gasta uma quantidade exorbitante de energia elétrica o que depreende gastos para geração dessa fonte de energia, muitas vezes de forma insustentável. Logo, os problemas do Bitcoin ultrapassam o campo do ciberespaço, corroborando a depreciação da natureza em prol do capital.
Destarte, é mister que tomem-se medidas a fim de dirimir os malefícios do Bitcoin no século XXI. Para tanto, faz-se necessário que o Ministério da Economia, somando esforços com o Ministério da Educação, crie aulas especiais dentro das disciplinas de Ciências e Geografia que, por meio de vídeos e pesquisas sobre a problemática do Bitcoin tanto no âmbito virtual quanto o que tange o físico, busque, nas novas gerações, mudanças desse paradigma. Dessa forma, a procura de dirimir esses problemas da criptomoeda, será possível descobrir outras fontes de energia e soluções especulativas para que as tecnologias não sejam vistas de maneira dicótoma, assim como em “As Cidade e as serras"