As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas

Enviada em 01/10/2019

A queda do feudalismo e a ascensão da burguesia foram marcos na história da humanidade. Nesse período, o início da especulação financeira e o acúmulo de capital na Europa introduziram o capitalismo mercantil ao mundo. Hodiernamente, com a concretização das realidades digitais, a utilização de criptomoedas herda as principais características financeiras do mercantilismo europeu. No entanto, esta novidade tecnológica facilita a ocorrência problemas de roubo de dados e contribui para uma desvalorização de moedas periféricas no cenário global. Com isso, é necessário compreender a origem e os efeitos da situação vigente.

É válido mencionar, inicialmente, que a digitalização do dinheiro, assim como a exposição de outras informações, torna o ataque por parte de “Hackers” mais suscetível, visto que, nesse meio, a segurança, por mais moderna que seja, pode ser facilmente quebrada. Tal perspectiva é embasada pelo ex-agente da CIA, Edward Snowden, que, em sua obra “Permanent Record”, afirma que a revolução tecnológica facilitou muitos processos, sendo um deles, o roubo e a invasão de privacidade. Diante desse viés, vê-se que as moedas digitais corroboram uma fragilidade extra para o sistema monetário, que pode, inclusive, fomentar diversos crimes, convergindo para um enfraquecimento da confiabilidade desse tipo de mercado.

Ademais, faz-se mister mencionar que o uso global de um único tipo de unidade de troca pode pôr fim às economias periféricas, que, infelizmente, já sofrem socialmente com a desvalorização financeira interna. Essa tese é alicerçada nas teorias do economista inglês John Keynes, as quais  aplicavam um maior controle econômico do Estado, uma vez que, segundo o keynesianismo, a descentralização e a valorização extrema de câmbios externos podem ocasionar um colapso de consumo no mercado interno. Sob esse ponto de vista, depreende-se que a utilização e a valorização do “Bitcoin” no planeta favorece a desestabilização financeira de países mais pobres, sendo, por isso, um fator agravante da situação deletéria de desigualdade econômica que se põe em vigência atualmente.

Infere-se, portanto, que o Governo Federal, sob figura do Ministério da Fazenda, deve instituir um plano de regulamentação do uso de criptomoedas no mercado nacional, por meio de um projeto de lei que limite o uso de moedas digitais e que seja capaz de controlar a movimentação desses objetos monetários, evitando o seu câmbio de forma indiscriminada, a fim de proteger a economia brasileira de altas inflacionárias e da desvalorização externa. Assim será possível assimilar os benefícios herdados do mercantilismo europeu sem, no entanto, incorporar malefícios modernos.