As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas

Enviada em 04/10/2019

“The Blockchain and Us”, é um curta-metragem americano caracterizado por enfatizar, diretamente, as vantagens e implicações que o meio técnico-científico-informacional ocasiona no cotidiano dos indivíduos, sobretudo, no âmbito financeiro. Em súmula, são apresentadas diversas entrevistas com desenvolvedores de softwares, criptologistas, pesquisadores e empreendedores, denotando informar a sociedade acerca do novo método de comércio vigente na contemporaneidade, máxime, o uso legal das moedas virtuais. Nesse contexto, a internet potencializou a massificação do consumo, por intermédio do amplo e modificado mercado consumidor, assim, faz-se necessário analisar tal panorama, intrinsecamente ligado às relações sócio-econômicas.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar de que forma o comércio exequível ganha sua representatividade gradativamente no Brasil. Isso ocorre, em grande parte, devido ao baixo senso crítico da população, fruto de uma educação tecnicista, na qual não há estímulo ao questionamento. Sob essa ótica, a Crise de 2008, marcada pelo endividamento em massa de milhares de pessoas em virtude de uma série de influências governamentais no mercado global, fomentou a desconfiança populacional perante a gestão financeira do Estado. Assim, ao associar a “Modernidade Líquida” proposta pelo sociólogo Zygmunt Bauman – posto que, os paradigmas sociais são redefinidos recorrentemente –, os indivíduos estão alterando as formas de negociações via cédulas fiduciárias por factíveis.

Outrossim, segundo a perspectiva filosófica pré-socrática, “Tudo muda, menos a mudança”, quando o mercantilismo estava no ápice, o ouro era a moeda padrão. Hodiernamente, vivendo-se durante o Capitalismo – modelo econômico vigente desde o término da Guerra Fria em 1911 –, as montantes latentes alavancam o mercancio. Dessa forma, tal incremento acaba que, por sua vez, facilitando as transações bancárias, o gerenciamento econômico pessoal e as formas de pagamento. Por conseguinte, ver-se uma maior comodidade nesta conjuntura fazendo jus ao que fora apregoado por Sócrates ao afirmar que o sujeito está intimamente interligado ao retrocesso.

Entende-se, portanto, que é necessário que a agremiação contemporânea entenda as circunstâncias advindas de tal cenário. Para tanto, urge que, a Constituição Federal, por meio de uma legislação eficaz referente ao que fora exposto, promova programas e campanhas socializantes que detalhem o uso adequado da Bitcoin perante a atmosfera cibernética e econômica, com o fito de preestabelecer um senso crítico acerca dos diferentes tipos de comércio e quais as suas ilações para a cidadania. Assim, poderemos ser contrários à Sócrates e romper com a popularização exacerbada do consumismo, de acordo com “The Blockchain and Us”.