As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas
Enviada em 24/10/2019
O crescimento da quantidade de negociações com criptomoedas e a recente valorização dessas moedas virtuais nos mercados financeiros demonstram o potencial que tal tecnologia tem para chamar a atenção na economia mundial. A característica mais marcante das criptomoedas é o fato de elas serem criadas e gerenciadas sem nenhuma intervenção estatal ou bancária. E é justamente isso que será o obstáculo que as impedirão de se tornarem uma revolução econômica.
Um dos aspectos mais avaliados por investidores, antes de eles fazerem qualquer investimento ou transação financeira, é o risco. Uma prova disso está no fato de que os países de primeiro mundo, que possuem economias mais estáveis, são os principais destinos de investimentos internacionais, mesmo proporcionando menores rentabilidades. Ou seja, há uma regra no mercado financeiro, que faz com que quanto menor o risco de um investimento, menor a rentabilidade proporcionada, ao passo que, quanto maior o risco, maior a possibilidade de lucro. Isso explica o fato de que moedas virtuais, como o bitcoin, estiveram entre as maiores altas nas negociações mundiais nos últimos anos, uma vez que pouco se sabe sobre como são controladas, além de não oferecerem nenhuma garantia e sofrerem, constantemente, a ação de “hackers”.
Por outro lado, as instituições financeiras possuem grande credibilidade, não só por serem um sistema financeiro criado há séculos, mas também pelo fato de investirem muito na segurança das aplicações que controlam. No Brasil, por exemplo, uma pessoa que possui uma conta em um banco ou em uma corretora de investimentos, além de contar com proteções contra fraudes e roubos, ainda possui garantia do Banco Central. Além do mais, é notória a capacidade que os grandes bancos possuem de influenciar o mercado financeiro e, assim, mesmo que investimentos em criptomoedas se tornem menos inseguros e, por conseguinte, mais populares entre os investidores, os banqueiros ainda terão poder para atraírem a atenção nesse mercado, por exemplo, oferecendo opções mais rentáveis.
Dessa forma, fica claro que as criptomoedas são vistas mais como um investimento de alto risco do que uma possível transformação econômica, que preocuparia governos e banqueiros. Mesmo que exista a possibilidade de essas moedas virtuais se tornarem mais atrativas para os investidores, o sistema financeiro tradicional, com a capacidade que possui de evoluir, estará sempre à frente no mercado mundial.