As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas
Enviada em 25/10/2019
Na série Estadunidense “Mr.Robot” retrata-se uma sociedade futurista, altamente conectada e dependente de tecnologia, em que as moedas virtuais são o principal meio de troca monetária. Analogamente, apesar de fictício, tal cenário não é muito diferente da realidade, visto a maior internacionalização e integração da economia global advinda da globalização. Garantir a segurança de transações, bem como do usuário, contudo, ainda é um desafio que esbarra tanto em questões estruturais quanto na ignorância social. Com efeito, torna-se fundamental debater os impactos e consequência desse quadro, assim como maneiras de o interromper.
Em primeira análise, é possível verificar que as questões político-estruturais se mostram como um dos maiores entraves à concretização desse mercado. Segundo o presidente-executivo do mercado Bitcoin, Rodrigo Batista, apesar do crescimento de cerca de 275% do número de investidores na área, os meios que proporcionam o conhecimento acerca dos benefícios da economia ainda são insuficientes. Esse dado evidencia a ineficácia dos órgãos de auxílio, tais como os Ministério de Justiça e o de Ciência e Tecnologia, em promover o ensino sobre aspectos positivos do uso das criptomoedas. Diante disso, é notório que a existência desses meios é de suma importância, mas suas ações ainda não são satisfatórias para melhorar os índices alarmantes dessa problemática.
Ademais, é cabível afirmar que essa situação se deve, também, à razão estrutural que é o Fato Social. Consoante Durkheim, Fato Social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, coletividade e coercitividade. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a lenta mentalidade de parte da sociedade sobre a importância das criptomoedas para a economia pode ser encaixada na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo, também, por conta da vivência em grupo.
Considerando-se os aspectos mencionados, infere-se, portanto, que as ações conjuntas do governo e da sociedade civil são necessárias. Nesse sentido, urge que o Ministério da Justiça, por meio do melhor investimento, formule leis que estabeleçam a criação de centros públicos de ensino sobre as moedas virtuais, que contem com horários estendidos e profissionais capacitados, como também a distribuição de cartilhas informativas sobre o tema. Com isso, o Ministério de Educação, em consonância com a sociedade civil, deve despertar o senso crítico juvenil a partir de palestras educativas que retratem a importância da economia e por intermédio da implementação nos livros didáticos de diversas áreas da conscientização das consequências que podem ser geradas pela mistificação dessa forma de dinheiro.