As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas
Enviada em 01/09/2020
As reflexões acerca de como o uso das criptomoedas pode representar uma revolução econômica mundial atestam a relevância do assunto na atualidade. Entretanto, embora essa tecnologia de criptografia possa exprimir uma política monetária dos novos tempos e proporcionar grande autonomia para seus usuários, há uma série de problemas que podem impedir uma revolução dessa proporção. Entre esses problemas estão: a resistência dos governos diante da perda de controle econômico em seus países e os riscos que apresentam para seus investidores.
A criação das criptomoedas foi possibilitada pela tecnologia blockchain (cadeia em blocos), composta por uma base de dados que armazena o histórico de transações e possui uma forte criptografia nesse processo. Assim, diferentemente das moedas tradicionais, as moedas virtuais não são controladas pelo Banco Central, ou seja, o seu uso é livre de instâncias burocráticas. Dessa forma, como a maior fonte de poder para os governos são os seus bancos centrais e o monopólio de dinheiro, a possível mudança de um controle monetário centralizado para um descentralizado sofre de forte resistência dos governos, pois acabaria com tal poder. Um exemplo dessa perda de controle é que o governo ficaria impedido de emitir e valorizar a moeda e ainda de bloquear o dinheiro das pessoas, como historicamente já aconteceu em políticas econômicas de alguns países.
É inegável a relevante transformação econômica, política e social que o uso das criptomoedas pode proporcionar para a sociedade atual, uma vez que elas desburocratizam os processos, eliminam intermediários e permitem a descentralização da moeda. Todavia, existem riscos para os investidores nessas moedas em razão da abertura que elas oferecem para operações ilícitas. Nesse sentido, a moeda virtual é baseada em um software de código aberto que permite o anonimato das pessoas e, devido à dificuldade de rastrear os usuários, o mercado das moedas virtuais estimula a prática de crimes como a corrupção e a lavagem de dinheiro. Os bitcoins (primeira moeda virtual do mundo) utilizados pelos investidores no intuito de movimentar grandes quantias não declaradas são um exemplo dessa prática ilícita.
Portanto, verifica-se que vários são os fatores que impedem uma revolução econômica mundial proveniente das criptomoedas. Diante disso, para se esperar um crescimento considerável desse novo tipo de dinheiro são necessárias relevantes medidas, entre as quais estão a regulamentação específica da moeda virtual no que concerne a sua utilização e comercialização e o atendimento a critérios amplamente divergentes como a descentralização com proteção ao consumidor e a preservação do anonimato dos usuários sem ser um canal de evasões fiscais e outras ilicitudes.