As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas
Enviada em 09/12/2020
A forte especulação em um mercado sem nenhuma regulamentação foi uma das causas da Grande Depressão, um colapso econômico ocorrido nos Estados Unidos que acarretou uma crise mundial. Diante desse cenário, uma alternativa promissora surgiu no século XXI para driblar problemas como o ocorrido nos EUA: as criptomoedas. Contudo, a falta de normatização a respeito de seu uso e a baixa disseminação de informação contribuem para a baixa popularidade delas.
A princípio, cabe destacar que não há legislações específicas sobre a utilização das moedas digitais. Segundo Montesquieu, a liberdade só pode ser exercida dentro de uma sociedade com leis, pois são elas que orientam a vida da população. Caso contrário, em uma terra sem normas, não haveria a moderação e nem o respeito à liberdade do outro indivíduo. Sob essa perspectiva, pode-se afirmar que, não havendo limites legislativos para a atuação do dinheiro virtual, uma lacuna surge para a ação de criminosos, os quais se aproveitam da brecha judicial para realizar transações financeiras ilícitas e hackear contas virtuais alheias. Com isso, além de tais infrações se tornarem permitidas pela falta de punição, elas consequentemente contribuem para o questionamento a respeito da segurança do sistema de criptomoedas.
Ademais, outro fator importante é a ausência da difusão do conhecimento acerca do tema. A alfabetização econômica traz benefícios não apenas para a vida pessoal, e sim para o papel do individuo como cidadão, uma vez que ele impulsionará o setor econômico do país. Porém, no que tange as moedas virtuais, observa-se uma defasagem em seu ensino desde o âmbito escolar, em que falta a educação financeira. Dessa forma, é possível correlacionar esse fato com a máxima de Freud, em que destaca que “o novo sempre gerou perplexidade e resistência”, ou seja, o desconhecido, a princípio, gera oposição. Nesse contexto, é válido dizer que pela falta de discussão acerca de tal tecnologia econômica, o assunto se torna novo e desconhecido à população que, naturalmente, tende a depreciar esse sistema.
Desse modo, é evidente que as moedas virtuais podem revolucionar as relações econômicas, mas ainda precisam superar alguns desafios. Para mudar a atual conjuntura, é necessário que haja mais debate e ensino em relação ao tema. Paralelamente, é preciso que o Ministério da Economia reconheça as criptomoedas como moedas oficiais, por meio da criação de uma legislação específica que regulamente o seu uso. Além disso, tal lei deverá oferecer proteção às transações eletrônicas realizadas nesse sistema. Assim, a fim de proporcionar um conforto maior aos usuários, espera-se que essa rede seja difundida entre a população.