As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas
Enviada em 20/12/2020
Em meio a uma realidade catastrófica, o sentimento de esperança torna-se essencial para o processo de superação. Essa é a mensagem da obra “Guernica” do pintor Pablo Picasso, expressada, de forma metafórica, a partir de um candeeiro que ilumina um cenário de obscura destruição. É válido estabelecer uma analogia entre essa visão otimista e os problemas que envolvem as criptomoedas no Brasil, uma vez que, diante deste impasse, acreditar em sua resolução pode “iluminar” a busca por soluções. Por esse viés, é imprescindível analisar os aspectos psicanalíticos e sociais que envolvem essa questão no país.
De antemão, vê-se que o Poder Público se mostra negligente ao não informar a população sobre o uso das criptomoedas. Isso porque uma pessoa analfabeta, por exemplo, pode ter interesse em realizar pagamentos em transações comerciais. Contudo, entender que não compreende bem acerca do uso das moedas virtuais tende a se apresentar como elemento de inibição. Esse cenário pode ser explicado por Sigmund Freud, pois, segundo sua teoria psicanalítica, um indivíduo sofre constantes conflitos entre os impulsos inconscientes (Id) e a compreensão das limitações sociais (Superego).
Além disso, enfatiza-se que há uma certa resignação social perante os problemas que envolvem as criptomoedas. Como prova disso, percebe-se a inércia de parte da população perante a ausência de assistência estatal, visto que falta auxiliar financeiramente as pessoas de baixa renda que não possuem acesso às moedas virtuais, comprometendo, dessa forma, o direito à igualdade delas. Considerando os estudos da filósofa Hannah Arendt para explicar essa naturalização, nota-se que a massificação social promove a alienação dos cidadãos, prejudicando, desse modo, o senso crítico deles.
Constata-se, finalmente, que os problemas que envolvem as criptomoedas devem ser solucionados. Logo, é importante exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização, priorizando palestras públicas ministradas por profissionais da área da informática e da economia em praças coletivas, objetivando, com isso, conscientizar a sociedade acerca do uso adequado dessas moedas. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas promovidas por ONGs, a fim de que os impasses que cercam a questão das criptomoedas não sejam banalizados, o que pode ser potencializado por meio do governo federal com o investimento financeiro em programas sociais, objetivando, com isso, garantir o acesso das moedas virtuais às pessoas de renda baixa. Desse modo, assim como na obra “Guernica” seria possível “iluminar” o processo de superação desse entrave.