As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas
Enviada em 17/07/2021
O filme “O Preço do Amanhã” (2012), baseando-se no ditado popular “Tempo é dinheiro”, retrata uma sociedade futurística, na qual o papel-moeda foi extinto e substituído por um modelo revolucionário, que iguala o tempo — contado em anos, meses, dias e horas — ao capital. Fora das telas, a realidade econômica hodierna, caracterizada pela criação das moedas virtuais, assemelha-se ao universo exibido no filme à medida em que constitui uma revolução nas relações e transações financeiras, impactando os tecidos político e socioeconômico. Observa-se, nesse sentido, a expansão das criptomoedas, ocasionada tanto pela obsolescência e instabilidade das moedas tradicionais quanto pela possibilidade de independência monetária em relação ao Estado. Urge, assim, a análise da conjuntura.
É tácito, diante desse cenário, inferir o caráter arcaico do dinheiro controlado pelos Banco Centrais. Tal fato é evidenciado pela crise monetária da principal potência global, o Estados Unidos. Nesse contexto, o Federal Reserve (Fed), Banco Central estadunidense, tem implementado diversas estratégias — como os acordos de compra reversa — a fim de conter a inflação, principalmente após a crise de 2008, na qual o Fed decidiu injetar liquidez na economia por meio da impressão de dinheiro. Entretanto, apesar dessas políticas, a moeda americana apresenta uma desvalorização constante desde a década de 80. Dessa forma, as moedas virtuais surgem como uma alternativa ao desgastado sistema monetário vigente, em razão de não serem impressas, e, consequentemente, impedem o excesso de dinheiro em circulação, apresentando uma inflação estável.
Outrossim, cabe pontuar a relevância do caráter independente, das moedas virtuais, frente à máquina pública. Sob esse ângulo, o economista Friedrich von Hayek, ganhador de Prêmio Nobel, defendeu, em seu livro “A desestatização do dinheiro”, o livre mercado de moedas, isto é, a quebra do monopólio estatal e a decorrente livre concorrência. Essa inovação traria, segundo Hayek, vantagens para os consumidores, como a liberdade de escolha — não presente nas moedas fiduciárias —, elevada estabilidade e o aumento na facilidade de circulação internacional, ao não ser necessário o câmbio. Desse modo, tem-se, nas criptomoedas, uma ferramenta auxiliadora às liberdades individuais.
Depreende-se, portanto, a importância do incentivo ao estabelecimento das moedas virtuais. Logo, o Ministério da Economia deve promover a adesão do mercado nacional a esse modelo monetário, por meio de palestras direcionada às empresas privadas, acerca do funcionamento das criptomoedas, tendo como palestrantes economistas e proprietários de empresas adeptas ao uso, a fim de evidenciar os benefícios dessas moedas e seu usufruto correto. Isto feito, o Brasil poderá, num futuro próximo, ser um pioneiro na integração eficiente desse sistema.