As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas

Enviada em 20/07/2021

“O dinheiro é uma felicidade humana abstrata; por isso aquele que já não é capaz de apreciar a verdadeira felicidade humana, dedica-se completamente a ele”. Está é uma frase do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, um dos principais pensadores do pessimismo filosófico e grande inovador da metafísica na Europa. Para entender este comentário, deve se notar o contexto deste pensamento, que foi elaborado após a revolução industrial, período em que a economia foi concretizada como ciência, digna até mesmo de um prêmio Nobel anualmente. Porém, com o advento da revolução digital, muitos questionam-se da viabilidade de um tipo ainda mais abstrato de dinheiro, as moedas virtuais.

Sob esse viés, deve-se primeiro explicar os objetivos das moedas virtuais, mas além disso, por que estas são usadas no mundo moderno. Para isso, destaca-se o Bitcoin, a mais popular de todas as criptomoedas, com cerca de 5 milhões de usuários. Inicialmente, o objetivo dessa criptomoeda foi o de recompensa que usuários recebem após minerar (usar seus computadores para realizar cálculos matemáticos avançados), então podem gastar em troca de serviços ou em produtos. Ademais, o processo da utilização de um bitcoin é completamente anônimo e extremamente seguro, detalhe que levou a sua popularização como um dinheiro seguro de qualquer interferência governamental.

Como resultado, a natureza incontrolável do Bitcoin atraiu a atenção de governos ao redor do mundo, isso se dá principalmente com o uso das criptomoedas em uma gama de crimes, como a lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Porém, algumas críticas também são relacionadas a deflação do Bitcoin, processo reverso da inflação que leva a uma moeda a valer cada vez mais, por conseguinte, a população não gasta seu dinheiro na esperança que no dia seguinte ele valerá mais. Ademais, ainda existe o problema ecológico das criptomoedas, no processo da mineração de moedas é utilizada uma grande quantia de energia, tanto que, segundo a BBC News, a mineração de bitcoins consome mais energia que a Argentina, o segundo maior país da América do sul, tanto em área quanto população.

Em síntese, vê-se que a situação das moedas virtuais é extremamente volátil e de futuro incerto, seus preços instáveis e seu uso generalizado no crime organizado pode significar que as moedas virtuais são uma moda, que serão substituídas por moedas oficiais de governos agora que o uso de cartões de créditos foi popularizado. Entretanto, muitos dos problemas que as criptomoedas sofrem foram os mesmos que a internet teve que superar para hoje se tornar o meio mais popular e efetivo de comunicação a longa distância. Em virtude dos argumentos apresentados nesse texto, percebe-se que tanto os governos quanto as criptomoedas devem continuar se adaptando nessa frente econômica que está surgindo no mundo digital.