As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas

Enviada em 19/07/2021

Na obra intitulada “Sapiens”, o historiador Yuval Harari introduz a importância da ficção na Revolução Cognitiva para a ascensão dos homo sapiens em relação às demais espécies. A moeda se caracteriza como uma forma de ficção criada para organizar o meio social e suas relações, tendo, assim, passado por inovações na história, como as moedas virtuais contemporâneas. Sob esse viés, cabe destacar o advento de novas tecnologias e a relativa independência governamental como agravantes do processo.

Convém considerar, a princípio, as características do período hodierno, envolvido pela Revolução Técnico-Científica e Informacional. Segundo o sociólogo francês Émille Durkheim, a anomia social seria causada pelas rápidas transformações na sociedade. De tal modo, as mudanças não acontecem de maneira igualitária e muitos indivíduos protagonizam um atraso no processo de modernização. Para que seja, de fato, benéfico, as moedas virtuais precisam estar no alcance de todos os grupos sociais, sem haver a elitização do recurso.

Ademais, é imprescindível ressaltar o paraíso elitista e burguês observado no baixo controle estatal sobre as moedas virtuais. O Estado tem o papel teórico de ajustar a economia de forma a garantir o minímo para toda a população e quanto menor for o seu controle, cada vez mais desigual será o país. Nesse sentido, se não houver um sistema legislativo organizado, o dinheiro virtual se tornará um meio de ricos enriquecerem mais. Visto a desigualdade social brasileira, esse não seria um cenário saudável e promissor para a nação.

Portanto, são necessárias medidas que atenuem a problemática. Para isso, a Câmara dos Deputados deve apresentar um conjunto de leis que limitem os investimentos iniciais nas moedas virtuais,  as quais seriam fiscalizadas por agentes do Ministério da Economia, a fim de impedir privilégios no uso do recurso. Dessa forma, o Brasil marchará rumo a uma sociedade mais justa.