As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas

Enviada em 19/07/2021

Na obra “A República”, o filósofo grego Platão idealiza uma cidade livre de desordens e problemas. Fora da ilustre produção literária, com ênfase na sociedade hodierna, percebe-se o oposto dos ideais de Platão, visto que a implementação das moedas virtuais e a revolução das relações econômicas representam um obstáculo de grandes proporções. Assim, é notório que esse cenário antagônico é fruto da escassez de leis e tem como consequência a exclusão social, situação que precisa ser revertida.

Nesse sentido, é importante salientar que a falta de leis é uma causa latente do problema. De acordo com o site ebc.com.br, depois que computadores que servem como bolsas de bitcoin, moeda virtual mais usada atualmente, sofreram ataques de hackers o valor da moeda despencou visto que ocorreu a impossibilidade de fazer transações, prejudicando quem trocou moedas oficiais pelo dinheiro online. Também contribuiu para a queda da cotação a decisão da Rússia e da China de tornar ilegal o uso do bitcoin, sob a alegação de que a ferramenta facilita transações criminosas como lavagem de dinheiro, ocultação de bens e evasão de divisas. Dessa maneira, fica evidente que o governo não tem controle sobre as moedas virtuais, o que torna esse ambiente virtual inseguro, dificultando muito a implementação das criptomoedas nos países.

Por consequência, a falta de inclusão social é um resultado desse infortúnio. Segundo o filósofo Pierre Lévy “toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Nessa lógica, observa-se que o incremento das moedas digitais na sociedade se encaixa no pensamento do filósofo, uma vez que como grande parte da população não sabe o que são as criptomoedas ou como usá-las, esses indivíduos são excluídos socialmente. Dessa forma, como o mercado de moedas virtuais vem crescendo cada vez mais, mas não é ensinado para a população sobre o tema, o combate a essa infelicidade torna-se mais desafiador.

Portanto, fica clara a necessidade de uma intervenção. Sendo assim, cabe ao governo, através do Poder Legislativo, aumentar a fiscalização acerca das moedas virtuais, por meio da criação de leis que regulem o mercado virtual de criptomoedas, a fim de acabar com a falta de legislação e a insegurança sobre as mesmas. Além disso, o governo, em conjunto com as prefeituras, deve ensinar a população sobre as moedas digitais, por meio da disponibilização de cursos gratuitos sobre essa temática. Esses cursos devem falar sobre o que são as moedas virtuais e como investir nelas de maneira segura, de modo a acabar com a desinformação dos cidadãos. Somente assim, a sociedade contemporânea caminhará para se tornar a cidade idealizada por Platão.