As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas

Enviada em 18/07/2021

No documentário estadunidense “Bitcoin: o fim do dinheiro como conhecemos”, é explorado o advento da inteligência artificial como marco da Quarta Revolução Industrial. Analogamente, percebe-se que, no mundo moderno, devido à criação das moedas virtuais, há uma mudança de paradigma nas relações econômicas. Nesse contexto, é importante salientar, ainda, que a sociedade contemporânea carece de informações acerca da problemática, o que favorece um estranhamento a respeito de tal assunto.

A princípio, é válido mencionar que as novas relações econômicas são estruturadas sobre a infraestrutura da revolução digital. Acerca disso, o sociólogo Manuel Castells, em sua obra “A Era da Informação”, afirma que um novo mundo passa a surgir, em que sociedade e economia estão interligadas pelas tecnologias. Analisando o pensamento do teórico espanhol e relacionando à realidade contemporânea, é perceptível que o complexo sistema das moedas virtuais garante a confiabilidade das transações monetárias paralelamente ao relativo anonimato dos usuários, o que propicia a continuidade do comércio ilícito, como o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro, devido à dificuldade de rastreamento dos internautas. Desse modo, nota-se a necessidade de medidas interventivas capazes de mitigar os reflexos de tal problemática.

Ademais, é perceptível que o ínfimo conhecimento acerca das moedas virtuais acarreta na fragilidade da economia atual. Para além dessa composição, tal fenômeno foi objeto de estudo do sociólogo  Zygmunt Bauman, que traduziu com veemência a falta de solidez nas relações socioeconômicas, características da chamada “modernidade líquida”. Assim, por não dependerem da existência de um Estado para sua emissão, as criptomoedas não possuem uma instituição própria para a sua fiscalização, isto é, são descentralizadas, dificultando, desse modo, a ampla divulgação de informações a respeito do assunto. Com isso, a nula interferência estatal perpetua a pouca visibilidade da problemática, ratificando o conceito de liquidez proposto pelo teórico polonês.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar os problemas discutidos. Isto posto, é dever do Estado, junto ao Ministério da Economia, assegurar a regulamentação das moedas virtuais, por meio da criação de um órgão regulador e centralizador responsável pela emissão e fiscalização monetária, a fim de reduzir a facilitação de atividades ilícitas. Outrossim, cabe à mídia, forte ferramenta difusora de informação, promover maiores conhecimentos acerca da interferência das criptmoedas nas atuais relações econômicas, através de palestras e dinâmicas ministradas por especialistas no assunto, com o objetivo de desconstruir o estranhamento da sociedade contemporânea mediante à problemática. Somente assim os reflexos dessa mudança de paradigma serão positivos frente o mundo moderno.