As moedas virtuais e a revolução das relações econômicas

Enviada em 28/06/2022

De acordo com a série documental “Explicando”, disponível na plataforma Netflix, as moedas virtuais, como as “bitcoins”, marcam o início de uma revolução no sistema financeiro mundial. Na realidade brasileira, observa-se que, infelizmente, não há a difusão em massa desse novo instrumento econômico, já que o individualismo e o silenciamento midiático são fatores preponderantes que dificultam sua popularização.

Em primeiro plano, é válido ressaltar que, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, na contemporaneidade, há a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, a fim de atender aos interesses pessoais, aumentando o egoísmo e a ganância. Nesse sentido, pessoas com alto poderio econômico utilizam a nova forma de circulação econômica como um meio de investimento, a partir do qual muitos se tornam mais ricos do que já são. Isso acontece devido ao individualismo existente em grande parte da sociedade, que se preocupa prioritariamente com seus desejos pessoais e laborais, negligenciando o que ocorre ao seu redor. Por conseguinte, há a concentração de renda nas mãos de poucos, o que agrava ainda mais as disparidades sociais e econômicas no país.

Cabe mencionar, em segundo plano, que, conforme o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse contexto, percebe-se que a mídia não promove debates sobre os novos meios financeiros, como as moedas virtuais, que elevem o nível de informação da população, o que influencia no silenciamento midiático. Isso ocorre, porque certos assuntos são evitados, visto que não gera engajamento necessário para a manutenção de programas populares de comunicação.

Portanto, cabe ao Poder Legislativo Federal regulamentar a circulação das moedas virtuais, pois as normas devem se adequar ao dinamismo da sociedade. Essa regulamentação dar-se-á mediante elaboração de uma lei, que organizará o comércio dessas moedas no país, para que, assim, possibilite o acesso democrático a todos interessados e o aumento das discussões sobre o tema nos diversos meios de comunicação.